Marina

MARINA_Lateral

Marina é título do filme dirigido por Stijn Coninx, que conta a história do cantor Rocco Granatta, e também é o nome da canção que fez com que Granatta se lançasse ao mundo.

A produção é ítalo-belga, assim, conta com atores de ambas as nacionalidades e também com a paisagem dos dois países (o que acrescenta muito à fotografia!!!). Rocco Granatta nasceu na Itália e  ainda criança se mudou para a Bélgica, pois, seu pai conseguiu um emprego para trabalhar em um mina de carvão. Da infância a vida adulta Rocco dedicou-se a estudar música, mas, sua mudança para a Bélgica mostrou para ele que deveria se virar. Aprendeu a falar o idioma tomando várias pancadas e se enturmou com os músicos locais. Seu pai exigia que ele tivesse um trabalho, ele tentou trabalhar em uma oficina mecânica, dividindo o dia na oficina e as noites nos bares.

Ele se apaixona por Helena, a filha do dono do armazém que queria que ela tivesse um relacionamento com um italiano. Eles se aventuram, se arriscam, ela sofre um abuso e vai para os Estado Unidos. Seu pai sofre um acidente na mina e parece que tudo está perdido em sua vida. Até que, a música Marina, que Rocco e seu grupo gravam sem muita pretensão, estouro na Bélgica e em outros países do mundo. Isso o “salva” do destino de também trabalhar em uma mina.

A história se passa no pós 2ª guerra e mostra uma realidade cada vez mais aparente na Europa. A imigração dos italianos para a Bélgica para trabalhar em subempregos. O filme deixa nítido o problema, que até hoje, o país enfrenta com a imigração. Aliás, não só dos italianos, mas, de outras nacionalidades.

Apesar de não ser o meu filme favorito dos último tempos, gostei de conhecer a história desse cantor, pra mim até então desconhecido, e também de pensar um pouco sobre esses problemas sociais que por aqui, muitas vezes, nos escapa.

 

Arte no fim de semana: Orquestra Sinfônica e Irmãos de Sangue

Quando me refiro à arte, quero dizer de peças que me afetam, que me tocam, que me sensibilizam de alguma forma. Assim, entre vários artistas conceituados há vários que eu não gosto, pois, não não provocam nenhum novo sentido na minha percepção.

Pois bem, no último fim de semana pude apreciar duas obras de arte, uma musical e outra teatral. Sabe coisas de deixar arrepiado?

A obra musical foi apresentada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência de Marcelo Ramos, que tinha no programa Rachmaninoff e Guerra Peixe. A primeira peça teve a presença da pianista russa Kristina Miller-Koeckert, que propiciou ainda mais emoção pelo seu modo de tocar. A cada nota, um sentimento evidente. Estava tudo muito bem arranjado (não sou crítica de música e conheço muito pouco, mas quando o negócio está bom a gente sabe, né?), os baixos, a percussão, os violinos… lindo, lindo… fiquei em êxtase por alguns minutos, pensando em como era bom estar vivo e ouvir aquilo. A segunda obra, de Guerra Peixe, foi uma experiência diferente. Ainda não tinha vista algo assim, música clássica com mistura de música popular. Uma ode à Brasília e ao falecido presidente Juscelino Kubitschek.  Não posso negar que Rachmaninoff mexeu muito comigo.

A peça de teatro intitulada “Irmãos de Sangue” foi outra situação linda do fim de semana. Fui por indicação de uma amiga. Ela disse que tinha que ir, porque era lindo demais. Irmãos de sangue é uma narrativa sem diálogos (!), que conta a relação de uma família de três irmãos e uma mãe solteira. As histórias da infância, as brigas de irmãos… tudo muito bem dirigido, iluminado e atuado. É uma mistura de teatro, dança, mágica. Sim, mágica! Fiquei fascinada com “os truques” proporcionados em cena. A sensibilidade dos atores para contar uma história tão triste sobre a morte de um dos irmãos. Saí do teatro muito emocionada e querendo relembrar cada cena. É uma peça inteligente e brilhante. Palmas aos realizadores.

A peça está em cartaz no CCBB, até o dia 6 de abril. O ingresso é só R$10,00. Informações aqui.