Arte no fim de semana: Orquestra Sinfônica e Irmãos de Sangue

Quando me refiro à arte, quero dizer de peças que me afetam, que me tocam, que me sensibilizam de alguma forma. Assim, entre vários artistas conceituados há vários que eu não gosto, pois, não não provocam nenhum novo sentido na minha percepção.

Pois bem, no último fim de semana pude apreciar duas obras de arte, uma musical e outra teatral. Sabe coisas de deixar arrepiado?

A obra musical foi apresentada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência de Marcelo Ramos, que tinha no programa Rachmaninoff e Guerra Peixe. A primeira peça teve a presença da pianista russa Kristina Miller-Koeckert, que propiciou ainda mais emoção pelo seu modo de tocar. A cada nota, um sentimento evidente. Estava tudo muito bem arranjado (não sou crítica de música e conheço muito pouco, mas quando o negócio está bom a gente sabe, né?), os baixos, a percussão, os violinos… lindo, lindo… fiquei em êxtase por alguns minutos, pensando em como era bom estar vivo e ouvir aquilo. A segunda obra, de Guerra Peixe, foi uma experiência diferente. Ainda não tinha vista algo assim, música clássica com mistura de música popular. Uma ode à Brasília e ao falecido presidente Juscelino Kubitschek.  Não posso negar que Rachmaninoff mexeu muito comigo.

A peça de teatro intitulada “Irmãos de Sangue” foi outra situação linda do fim de semana. Fui por indicação de uma amiga. Ela disse que tinha que ir, porque era lindo demais. Irmãos de sangue é uma narrativa sem diálogos (!), que conta a relação de uma família de três irmãos e uma mãe solteira. As histórias da infância, as brigas de irmãos… tudo muito bem dirigido, iluminado e atuado. É uma mistura de teatro, dança, mágica. Sim, mágica! Fiquei fascinada com “os truques” proporcionados em cena. A sensibilidade dos atores para contar uma história tão triste sobre a morte de um dos irmãos. Saí do teatro muito emocionada e querendo relembrar cada cena. É uma peça inteligente e brilhante. Palmas aos realizadores.

A peça está em cartaz no CCBB, até o dia 6 de abril. O ingresso é só R$10,00. Informações aqui.

Exposição de Fotografias no CCBB BH

No dia 26 de fevereiro foi inaugurada uma exposição de fotografias no Centro Cultural do Banco do Brasil BH, vulgo CCBB, cujo o título é “Um olhar sobre o Brasil”. E eu só consegui ir no último sábado.

A curadoria foi realizada por ninguém menos que Boris Kossoy e Lilia Schwarcz (talvez, por isso, tenha criado tanta expectativa). A exposição está ocupando todo o 3º andar do prédio na Praça da Liberdade com fotografias que tentaram fazer um panorama da história do Brasil e, evidentemente, da história da fotografia no país, de 1883 a 2013. Referências como Miguel do Rio Branco, Marc Ferrez, Sebastião Salgado, Evandro Teixeira e tantos outros foram evidenciados na exposição aqui em BH.

evandroteixeira

Autor: Evandro Teixeiramarc ferrez

Autor: Marc Ferrez

A exposição promete, em sua sinopse, redescobrir a nação. Desculpas para quem gostou, eu achei que merecia mais. Na verdade precisava de uma organização melhor. Nas primeiras salas até entendi o que a exposição pretendia, mas do meio pra frente as fotos perdem a linha de raciocínio… e ficaram apenas um emaranhado de registros, sem necessariamente estar relacionados com a proposta da “história da nação”. Pensei que as fotos poderiam estar distribuídas por temas e não em uma linha cronológica. Políticas, trabalhadores, cidades, arquitetura, religião, estudos antropológicos… consegui visualizar várias categorias de organização ali. A linha cronológica também não dizia muita coisa, pois se referia somente ao ano que a fotografia foi feita sem ocupar uma relação direta com a foto ao lado. Aliás isso já foi superado, não?

Eu amo fotografia e já tinha visto várias  fotos em outras oportunidades. Saí de lá com uma sensação estranha. Talvez eu tenha criado uma grande expectativa; talvez eu esteja ficando cada vez mais crítica; talvez porque o espaço do CCBB não ajuda tanto, com um entra e sai de salas; talvez eu não tenha entendido a proposta; talvez… não sei bem.

E você foi? O que achou?

A exposição ficará até o dia 28 de abril. O horário de visitação é de quarta a segunda (terça-feira não funciona) de 9 às 21 horas. E tenta achar informações da exposição no site do CCBB. Encontrei poucas informações. E o Circuito Cultural da Praça da Liberdade da querendo atrair turistas?? Assim fica difícil.

Seminário de EaD e as belezas de Minas

No último fim de semana estive na cidade de São João del Rey participando do III Seminário de Educação a Distância, promovido pelo NeaD da UFSJ. Foi ótimo começar o ano aprofundando a discussão sobre a EaD. Lá pude perceber que a minha proposta de pesquisa tem sentido e tem sido vista como uma tendência para a educação. Isso é bom, porque em alguns momentos da produção nos sentimos um tanto quanto desconfiados sobre a importância da investigação (os pós graduando me entenderão).

No ano passado participei de poucos seminários, congressos e afins e isso me prejudicou um pouco. Este ano quero fazer diferente. Participar de eventos é importante para network, para revisar nossas ideias e conceitos e ver o que as pessoas estão pensando sobre o tema.

Outra coisa boa foi poder conhecer a cidade de São João Del Rey. Meu deus, como não tinha ido lá antes? Fiquei bastante encantada pela cidade. Assim como outras cidades coloniais, São João tem um centro histórico com casarões e igrejas do século XVIII bem conservados. Por ser formada em História tenho uma queda por estas cidades, fico boquiaberta com a arquitetura, com os projetos barrocos e com a vida levada nesses lugares. Claro que agora cogito fortemente fazer um concurso por lá rsrsrs.

Fiquei hospedada na Pousada Segredo pertinho do centro histórico e do Campus Santo Antônio da UFSJ. A equipe da pousada foi muito acolhedora. Não posso deixar de mencionar que a pousada tem um ótimo custa benefício, segura, limpa e com um café da manhã honesto. O meu quarto tinha uma vista privilegiada da cidade. Recomendo demais.

Claro, como não poderia deixar de ser, fiz várias fotos que compartilho aqui com vocês:

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Igreja São Francisco (ao lado do Campus da UFSJ)2

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A vista do meu quarto (6 a.m)9

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Lindo demais, não? Agora minha dúvida é qual das cidades mineiras eu gosto mais: Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João ou Diamantina. Alguém tem alguma sugestão?

O último dançarino de Mao

Na última sexta-feira assisti ao “O ultimo dançarino de Mao”, filme que conta a história de Li Cunxin, um bailarino chinês que saiu de sua pequena aldeia e “ganhou” o mundo, no contexto da “Guerra Fria”. Dirigido por Bruce Beresford (2009), o filme conta a história desse personagem com uma dose de humor e de emoção (às vezes até demais para o meu gosto). Baseado na vida e obra de Li Cunxin (há também a autobiografia chamada “Adeus, China:o último bailarino de Mao”, publicada pela editora Fundamento) o filme narra a trajetória profissional do bailarino, desde do momento de sua escolha para participar de um teste em Pequim ao seu retorno a China anos depois. O ponto alto do filme são as apresentações de Li – impecáveis!!! Além do ator que protagoniza a infância na China, suas expressões são uma delícia de ver.
Apesar de toda beleza e entusiasmo, achei algumas cenas um pouco clichês e apelativas emocionalmente (vi algumas pessoas lacrimejanto ao sair da sala). Penso ser algo recorrente em filmes que falam de superação e de esforço demasiado, por: horas de treinamento, avaliações constantes, confronto com a sua cultura de origem e outros…
Apesar disso “O último dançarino de Mao” é um bom filme – não posso negar – mas se torna mais cult por estar no Belas Artes do que por outro motivo.