Sumiço e reflexões

Pra variar deixei o blog desatualizado, lá vão quase 6 meses sem nenhuma postagem. Este canal ficou parado, assim como outros, e eu que antes dizia querer apagar o Facebook fiquei mais ativa na rede. Tenho uma relação de amor e ódio com a rede. De qualquer modo, cá estou eu para desabafar um bocado.

Fato é que já se passam 9 meses que estou por terras lusitanas e muitas coisas aconteceram neste período. Além obviamente de dedicação à tese, tenho me dedicado a vários momentos de auto-análise. No último post falava de sentimentos humanos. Neste quero falar das expectativas que criamos e da necessidade de atender algumas demandas sociais. Read More

dos sentimentos humanos

Penso que por estar fora da minha zona de conforto tenho prestado muito atenção aos sentimentos, aos meus, aos do que estão a minha volta e a de completos desconhecidos.

Por aqui tenho aprendido coisas sobre relacionamentos que antes não tinha me dado conta. Acho que até então tinha apenas brincado de namorar. Mesmo gostando muito do quem já me relacionei, tinha uma visão distorcida do que era estar mesmo do lado de alguém e o que isto implica. Podem pensar: sério? Sim, sério! Aqui novas palavras foram acrescidas no vocabulário (não só as gírias portuguesas ou expressões completamente diferentes). O que me faz me tornar uma pessoa melhor, principalmente com as pessoas que gostam de mim. Read More

Como transformar água em vinho?

Ontem, assim como os demais noites de inverno, fazia frio e ventava. A vontade era só de ficar em casa e não apetecia sair. O namorado chegou e não tínhamos água, claro, que por aqui, bebemos vez ou outra água da torneira, mas isso nem sempre pode ser a melhor opção.

Ele também estava a espera que eu comprasse e não o fez. Olhou, pensou e resolveu sair as 10 e tal para encontrar uma garrafa de água. Demorou um bocado. Achei estranho porque a loja é bem perto de casa. Ok, deve ter encontrado alguém pelo caminho e parou pra conversar. Passados uns minutos chega com uma garrafa de vinho na mão. Eu digo: não era água? E ele: eu até tentei, entrei na loja dos indianos olhei e acabei esquecendo, resolvi trazer um vinho.

Pelo menos esquentou a noite.

Tensões de uma pós-graduanda

Quem faz pós-graduação sabe que este é um momento que se sente de tudo, já dizia a sabia Inês Teixeira, professora da Faculdade de Educação. Além de vários livros pra ler, há a coleta de dados, as disciplinas obrigatórias, os artigos para publicar etc, etc, etc. É um momento de crescimento profissional e pessoal, sem dúvida.

E por se tratar de um processo criativo vivemos vários dramas, temos que fazer escolhas, aprofundar conceitos, abdicar de várias coisas… Nesse momento, vivo o medo da página em branco. Além disso, diante de tantos conceitos, tantas ideias e argumentos me sinto um bocado perdida. Sinto-me no labirinto de Minotauro a espera de ser devorada por ele. Por acaso,  ainda não tenho o fio de Ariadne para me ajudar a sair desse drama todo.

Alição, angústia e um bocado de fragilidade saltam neste momento. O bom é pensar que o doutorado é um processo de aprendizagem, e, que, ao final, tudo vai dar certo. Espero.

Das experiências na cozinha (nem sempre satisfatórias)

Adoro cozinhar, talvez isto seja uma revelação por aqui. O que encanta é a mistura, a inventação de moda, é o aproveitar o que há na dispensa e na geladeira. Quase não sigo receitas, apesar, delas darem jeito, vez ou outra, principalmente para alguma ocasião especial. Na cozinha deixo a bruxa que existe em sair: coloco especiárias, ervas aromáticas, chilis… ou seja, a comida que eu faço normalmente é beeeem codimentada. Eu digo que é de mulher apaixonada. Como gosto de comida assim nem sempre acho esse “jeito” a venda por aí. Daí penso que minha personsalidade é transferida para a comida. Em um prato, múltiplas sensações, ouvi outro dia, bem típica de @fercout

A frequência de vezes que tenho feito algo na cozinha aumentou e, claro, tem experimentado mais. Aliás, adoro comer (rsrsrs) seja onde for, mas em casa há o gostinho de você fazer a sua prórpria comidinha… escolher os temperos, beber um vinho e conversar, dividir histórias.

Porém, minhas últimas experiências o resultado não foi satisfatório:

– pão integral: ficou salgado demais e com a casca dura (coitado do namorado que tem problema na articulação! vai ter que cortar pequenininho pra conseguir comer);

– sopa de cenoura com enchido de porco: era sopa de enchido?

– sopa de abobora com gengibre: era sopa de gengibre?

– o peito de peru com aceto balsâmico ficou com gosto de caramelo.

Ok, amanhã ele faz o jantar.

O bom mesmo que no final das contas a gente aprende, erra de novo com um outro ingrediente, e acerta depois nas novas invecionices. Pra cozinhar é preciso aprender e saber que haverá outras chances de acertar.

Sobre o novo ano e novos planos

Mais um novo ano começa e aquela fase de estabelecer metas retoma-se, algumas se mantem e outras se inserem na lista de intermináveis desejos.

O ano de 2014 foi formidável. Tive muitas realizações, aprendi um bocadinho de coisas de ainda não tinha entendia e tenho conseguido aos poucos me desvencilhar de coisas que antes me incomodavam. Apesar de tudo, foi um ano de sofrimento, porque aprender dói. Choros, desapegos, vontade jogar tudo pro alto. Algumas vezes tenho que colocar os pés no chão e olhar para o horizonte que me aguarda. Num dia de lamentações, por não ter o que imaginei ter aos 32 anos, ouvi algo que me fez parar para pensar: “você pode não ter algo de material, como sua própria casa ou a vida que desenhou pra esta altura, mas pense, o mundo está te esperando, você tem todo ele pela frente”. Foi um soco na cara. Algo para deixar de pensar que as conquistas (por muitas vezes) se resumem em aspectos materiais ou em fases da vida já cumpridos: já tem casa, tem emprego, já casou, já tem filhos, já… já???? Eu não tenho nada disso, por outro lado, tenho uma vontade de conquistar tantas outras…

2014 foi um ano de conquistas e de coragem.

2015 quero esta coragem ainda maior para conseguir me desprender mais e iniciar projetos que por anos ficaram escondidos. Os ares lusitanos tem me ajudado a me destanciar da vida que tinha, daquela rotina pontuada, da qual a qualquer desengano me fazia perder o lugar. Aqui tenho aprendido a romper a rotina e ser feliz, afinal nos desvios acabamos encontrando caminhos mais bonitos.

Feliz ano novo cheio de singelezas.

Leveza, deriva, incerteza

Leveza.

Deriva.

Incerteza.

Tenho repetido essas palavras com frequência, quase que como um mantra pra entender melhor o que eu quero.

Já fui tensa, precipitada, ansiosa, raivosa, insegura, nervosa…

Hoje quero, mesmo que tenha objetivos a alcançar, que os caminhos me levem para lugares novos e desafiadores; a incerteza e a insegura que antes temia, hoje, aprecio.

Sim, o desconhecido tem o seu charme.

Afinal, o melhor e viver a viagem, respirar os ares do outono, sentir o barulho das folhas nas árvores, sentir o frio gélido da chuva, abraçar novos amigos, dizer eu te quero ao levantar, viver cada dia por vez…

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Para vibrar com tudo isso, música do momento: https://www.youtube.com/watch?v=4IqKRnEqDj8

Vida que segue cheia de mudanças

Coração que solta pela garganta.

Poros abertos para o novo.

Inconstâncias de viver na corda bamba.

Viagens aleatórias para desbravar o mundo, sem medo do que vai encontrar.

Nada de hora, de celular ou de alguém para justificar (filha de chocadeira).

Perda de chave de casa e o encontro de novas.

Meses de intensidade, de perdas e ganhos, ganhos, muito mais de ganhos.

Mudanças a cada minuto.

Aprendizado de novas expressões, sensações e de visões sobre o que é a vida só ou a dois.

vida que segue, sempre segue… em deriva.

Minha vida cabe numa mala de 8 kg

Normalmente, quando vamos viajar, nos enchemos de dúvidas sobre o que levar ou não. Claro, depende do sítio, do clima, do tempo que vai permanecer. E daí que você vai passar 10 dias na Inglaterra em pleno outono, ou seja, em temperaturas bastante amenas para brasileiros, ou 7 dias na Espanha nas mesmas condições (obviamente apesar da mesma estação, as sensações térmicas são bem distintas). Só que, você vai viajar de avião em companhia low cost, o quer dizer que você só pode levar uma pequena mala de cabine e uma bolsa de mão, pois, se não, paga taxas extras que podem sair quase o mesmo preço da passagem. Por ademais dos 10 dias, ia transitar, pegar ônibus, trem e metro. Não podia ser uma bagagem grande, tampouco pesada.

Bem na primeira experiência referida foi dureza. Estava pouco preparada para enfrentar as baixas temperaturas e esta novidade de pouca mala… daí imagina, casacos, calças, botas… afff faltava mala para tanta necessidade. Fiz a mala toda, depois desfiz, não ia caber. Fui com que era possível levar e lavar no banheiro dos hotéis. Obviamente tive que lavar roupas para conseguir usar por mais de uma vez.

O que interessa neste caso é que sobrevivi e achei a experiência ótima. Sim, minha vida cabe numa mala de 8 kg com um mínimo necessário para sobreviver. Bem no estilo minimalista que tenho me inspirado ultimamente. Foram duas calças (uma que viajei) e outra na mala, uma saia e uma legging (que é uma ótima conselheira neste aspecto), dois casacos (que na volta foram os dois comigo), um vestidos, umas 4 camisas de manga cumprida e uma térmica, duas botas e claro os produtos de higiene. Acho que foi só isso mesmo rsrs. Agora, imagine outra coisa, Londres tem um tanto de coisa linda… e não resisti e comprei várias… pra voltar… sufoco de novo. Cheguei com tudo intacto no aeroporto de Lisboa.

Nesta semana viajei para a Espanha, de ônibus, ou seja, não precisava se uma mala tão pequena neste caso. De qualquer forma, achei tão válido que nem pensei duas vezes: transformar meu armário novamente numa mala de 8 kg. Faltam só dois pra viagem acabar e nem usei a metade das roupas. Sim é possível sobreviver… para as fotos trocam-se os lenços e cachecóis. Para viajantes, viajeiros… claro que a bagagem volta mais cheia… mas de histórias e aventuras para contar.

A necessidade de ser forte para se conhecer a si mesmo

A minha empreitada na Europa tem dois sentidos, o principal deles é o de fazer parte do doutorado (que incluso anda assim, assim…), e o outro que não tem como escapar é de fazer uma varredura interior… pensar e repensar, aprender, sentir e viver (esta está de vento em popa). Os meus planos, desde que saí do Brasil, era ficar a maior parte do tempo sozinha para dar conta de fazer isso. Acontece que, só depois de dois meses tive esta oportunidade. Claro que em Lisboa já fiz várias reflexões, importantes até, de como tenho levado a minha vida, de como tratei as minhas relações (em todos os níveis e sentidos). No entanto, foi só quando parti para a Espanha na última sexta-feira, tive condições de ficar totalmente sozinha… e quer saber, já me sinto sufocada por esta solidão toda. Já sinto vontade de conversar com meus amigos, meu namorado, minha família. E está… cada um cuidando da sua vida, seguindo o seu caminho, claro, não podia ser diferente. Entretanto, foi algo que eu quis. Não chamei ninguém… não queria ninguém por perto, como muitas vezes, já fiz… esta minha capacidade de romper tudo. Já dizia a Karina Buhr “não me ame tanto, não posso suportar um amor que mais do que, do que eu sinto por dentro… jogo tudo no lixo”. Pois… já cantei e delirei com esta música, hoje, tenho visto isto por outro lado, quero cuidar das relações, quero que as pessoas estejam próximas, quero cultivar, estar junto, e, se calhar, ter os meus momentos sozinhas, porque também são importantes.

A frase que inicia este post é do filme “Na natureza selvagem”, que já assisti há algum tempo, porém, não havia gostado. Achava banal… pensava e sentia como o personagem principal… uma vontade imensa de desbravar o mundo, jogar tudo para o alto, estar sozinha para me conhecer… tentar conhecer os meus limites. Agora estou aqui pensando que não tem a menor graça estar aqui sozinha, sem ninguém pra compartilhar. Tiro fotos, vejo coisas incríveis, sento para beber um café… sozinha, sozinha. Em Sevilha, conheci gente, saí pra conversar… e lá está, cada um foi para o seu canto e máximo que vai ser é mais um “amigo” no Facebook.

Em Granada, que é uma das cidades mais incríveis que já conheci, fiquei só… com pensamentos voando… tentando pensar no que vai ser daqui pra frente. Pensando que tenho gostado desta corda bamba que a vida proporciona… mas que ao mesmo tempo, para conseguir chegar ao outro lado, preciso estar concentrado e olhando para onde se quer se chegar.

A moral da história no entanto é a de que é impossível ser feliz sozinho. Última frase do filme. O personagem morre sentido isso, eu, ainda bem, descobri em tempo.

Enquanto isso, trilha sonora, só pra diminuir a arritmia: