2 filmes e 2 livros

Uma das minhas metas neste ano é a de ler mais e ir mais ao cinema. São coisas que gosto muito, mas pela correria do dia a dia acabo deixando essas paixões de lado. O ano começou mais lento pra mim e por isso tive tempo de me dedicar à leitura e ao cinema.

Pra começar vou falar de 2 filmes que assisti neste fim de semana e que já estão na boca do povo. Claro que eu não poderia deixar de dar a minha opinião rsrs

O Lobo de Wall Street

Para um filme de Martin Scorsese não poderíamos esperar uma construção diferente, cheio de drogas, sexos e lavagem de dinheiro. O diretor gosta do tema, visto a sua filmologia composto por Taxi Driver e Os Infiltrados, para citar alguns. O filme conta a história de Jordan Belfort (Leonardo diCaprio), um jovem corretor da bolsa que depois de passar pela crise da “segunda-feira negra”, investe em seu próprio negócio. O problema que era um negócio sujo que envolve muito dinheiro e, sobretudo, lavagem de dinheiro. Belfort e seus amigos enriquecem de modo a não saber o que fazer com o dinheiro que ganham, por isso, gastam em festas, bebedeiras, iates, apartamentos e viagens, e claro, droga, muita droga. Maconha, cocaína, lude, limmon e outras. Sejam elas vencidas ou frescas, não importa. Eles querem ficar loucos e ricos.

A narrativa começa interessante e empolgante, em um velocidade inquietante. Talvez no mesmo ritmo que o efeito do Lude provocava nos corretores: exaltação, baba e depois você não se lembra o que fez. Isso porque depois da primeira uma hora e meia, o filme vai perdendo o time e fica meio xoxo, em vista do início da projeção.

Leonardo DiCaprio mostra mais uma vez uma bela atuação e assistir ao Lobo vale a pena para vê-lo. Ele está impecável. Em uma das cenas é possível se contorcer na cadeira de tanta risada (quem assistiu vai saber qual, mas não fazer spoiler). Ele é um concorrente forte ao Oscar de melhor ator, sobretudo, pelo conjunto de suas atuações. Vamos torcer!!!!

Ninfomaníaca

Lars Von Trier tem se tornado um dos meus diretores favoritos a cada filme. Em Ninfomaníaca confirmei minha predileção. Este é o terceiro filme da trilogia da melancolia, iniciado com O Anticristo e Melancolia. Depois de sair da sala de exibição li algumas críticas a respeito falando que era um filme com muitas metáforas e metido a besta. Não achei, mesmo. Sim, o diretor abusa de metáfora para tratar de uma pessoa viciada em sexo, no caso Joe (Charlotte Gainsbourg), mas faz isso de modo que o que menos importa no filme são as cenas de sexo e, claro, são váriasssss. O que mais importa e tentar entender o que levou Joe a ser encontrada jogada no meio da calçada parecendo que tomou uma surra. O filme se assemelha a uma sessão de análise, na qual o Saligman seria o analista.

Diante do burburinho anterior ao lançamento pensei que o filme seria mais sujo e não foi. A história mostra a facilidade de uma garota fazer sexo com qualquer um, mas não se envolver e não se apaixonar. O afeto não existe em Ninfomaníaca. Existe dor e também, obviamente, um complexo de Édipo mal resolvido. Estou aguardando ansiosamente a segunda parte.

Agora os dois livros.

Li nas primeiras semanas dois livros que mexeram muito comigo. Um deles foi Sal de Leticia Wierzchowski, a autora da Casa das 7 mulheres. O livro conta a história da família Godoy e se passa em La Duvia no Uruguay. Não é coincidência e busquei esse livro justamente por isso dãa;;; Bem, ele é uma colcha de retalhos contado pela mãe e pelos irmãos. A vários narradores e a história e bastante envolvente. Li em 3 dias na verdade, pois o livro de tomou e não queria parar de ler. A vida da família em uma ilha assegurada por um farol (virei a louca do farol depois que li esse livro) muda quando um estrangeiro chega e se envolve com eles. Não vou contar para não fazer spoiler. Esta obra é uma novela cheia de personagens que me lembrou muito Cem anos de solidão de Garcia Marques.

O azul é a cor mais quente, de Julie Maroh, li numa tarde de domingo. É um HQ que inspirou um dos filmes mais lindos que vi nos últimos tempos. É uma história lésbica como todos já sabem e conta os dramas de uma menina em descobrir os sentimentos do amor, do ciúmes, do desejo e o sexo. Achei interessante ver o filme e ler o livro quase em seguida, pois entendi que na película alguns informações que no livro são incompletas são evidenciadas no filme. Claro que o diretor alterou várias coisas, principalmente a morte da Adéle, que no HQ se chama Clementine. O livro e o filme são tocantes e sensíveis. Hoje em dia ambos estão circundados em polêmicas, que não quero tratar aqui, pois para mim o que mais importa é “não se escolhe quem a gente vai amar, e a nossa concepção de felicidade acaba aparecendo por si mesma, de acordo com nossa experiência de vida” (p.79).

Le-bleu-est-une-couleur-chaude

 

Encontro com a literatura africana

Já comentei aqui que aprecio a literatura. Sempre gostei de ler, mas nem sempre me dedico a este prazer como gostaria. Afinal há tantas outras coisas que gosto e tenho que dividir o tempo; além de trabalhar, escrever, paticipar de congressos, ter vida social etc.

Este ano devido às várias atividades que tenho desempenhado, me dediquei especialmente a leitura de obras de escritores africanos, ou que pelo menos tratassem da temas narrados no continente.  Tudo porque, na escola em que trabalho estamos planejando fazer um trabalho integrado com a literatura. Pois, de acordo com a lei 10.633/2003, o estudo da África este conteúdo deve ser incluído no currículo. Decidimos, então, tratá-lo por meio de textos literários. Eis que, me vi diante de um desafio. Em uma reunião, os professores começaram a citar escritores e mais escritores africanos e; eu, calada. Até então não conhecia nada.

Peguei algumas das indicações e me debrucei sobre algumas obras de Luandino, Camus, Pepetela e Mia Couto e me vi completamente apaixonada pela escrita, pela narrativa… do modo como as estórias/histórias são contadas. Estou apostado que, assim que a greve acabar, poderemos fazer um excelente trabalho com eles.

Outros escritores que fiquei conhecendo e que não estava na primeira, mas que acabei me deparando e ficando extasiada foram Valter Hugo Mãe e  Alberto Vazquez- Figueroa (este é espanhol e narra uma aventura inesquecível – “Tuareg”) – Detalhe: A obra de Vazquez-Figueroa me foi vendida pelo Sr. Van Dame (da famosa livraria Van Dame, localizada no centro de BH, como o melhor livro que ele havia lido).
 
Os outros autores, como disse, foram indicações de colegas e, até mesmo, da minha endocrinologista. Um dia desses, enquanto esperava para ser atendida para uma consulta lia “Todos os nomes” de Saramago. A doutora observou e perguntou: Está gostando desse Saramago? Disse que sim, que gostava das obras dele e desenvolvemos uma conversa sobre isso. Bem, ela me disse que estava lendo a “A máquina de fazer espanhóis” de Valter. Me  falou muito bem da obra e, além disso, havia recomendações de um dos meus escritores favoritos, o autor de Evangelho Segundo Jesus Cristo. Claro, que saí do consultório e fui buscar o livro. Porém, só agora ele ficou evidente na pilha dos livros a serem lidos.
 
Entre os autores citados, gostaria de comentar brevemente sobre as minhas impressões:
 
Um autor que estou um tanto quanto estarrecida é Camus. Sabe aquele coisa: nossa! como só conheci isso agora! Li “O estrangeiro” e não tiro o livro da cabeça. A história de um homem estrangeiro no mundo que vive, em que o tanta faz é expressão de ordem, me deixou complentamente apaixonada pelo autor. Tanto é que já estão na pilha dos livros para serem lidos: “o mito de sísifo” e “a peste”.
Mia Couto também é outro que me encantou com seu realismo fantástico em “Terra Sonambula”.
Pepetela, então! Nossa! Que forma de contar/inventar os fatos! A  “Gloriosa Família” e “O planalto e a estepe” são livros de tirar o folego, arrancar lágrimas e nos dar algum esperança.
 
Eu, por enquanto, fico por aqui para terminar a leitura da A máquina de fabricar espanhóis. E você, tem algo para indicar da literatura africana?

Literatura

Nossa! Como o tempo voa! Nem me dei conta que os meses estavam passando e eu deixei esse canto totalmente abandonado.
Olha que nem foi por falta de atividades, mas por total falta de tempo.
Depois que o semestre começou tudo ficou meio louco.
Na tentativa de atualizar esse blog, vou contar um pouco do que andei assistindo e lendo.
Depois de alguns meses terminei de ler Todos os Nomes de José Saramago. Mais uma obra inesquecível desse senhor português. Demorei mesmo, mais por falta de vergonha do que pelo meu envolvimento com o livro. As palavras, os mistérios, a imaginação e as sensações desse livro nos deixam em alguns momentos estáticos, querendo que o “herói” Sr. José logo encontre o mistério. Sr. José é um funcionário da Conservatória Geral e resolve colecionar a história de pessoas famosas, até se deparar com um nome completamente desconhecido. Um trabalho de pesquisa que exige um folêgo danado (até para os leitores).
Finalizada a leitura, peguei na minha pilha de livros (que compro e ficam a espera para ser lidos), outro, também de um português, mas o “da hora” é o Gonçalo M. Tavares. De sua Tetralogia O Reino, estou lendo “Aprender a rezar na era da técnica”. Quando fui a livraria (Quixote, diga-se passagem, a minha favorita na cidade) me disseram que o texto era similar ao do Lourenço Mutarelli (aquele do Cheiro do Ralo, Arte de Produzir Efeitos sem Causa, Miguel e os demônios e outros). Ainda não terminei de ler, mas até o momento o Dr. Lenz (personagem principal da estória) tem me convencido. Ele e seus dramas éticos. Assim que terminar posso contar um pouco mais sobre esta leitura.
Acho que estou mesmo gostando de textos portugueses, sejam os metropolitanos ou os colônias. Está lista também na lista também “A gloriosa família” de Pepeta. Depois eu falo sobre ele, pois este merece um tópico especial.

A trégua


Ultimamente tenho lido muitos livros de escritores latino americanos: Alende, Neruda, Galeano, Garcia Marques, sem contar os brasileiros …, mas um deles me marcou, foi Mário Benedetti. O último que li foi “A trégua”. A história é do personagem Martín Santomé, um homem de 50 anos, viúvo, pai de três filhos e prestes a se aposentar. No formato de um diário, Benedetti narra o cotidiano de um homem – criado por ele (ou será seu alter ego?) -, nos três meses que antencedem sua aposentadoria. A história mostra os conflitos de um homem de meia idade que sofre, que deseja, e, principalmente, que ama. Ama as mulheres. As descreve com uma delicadeza e com sentimento que pulsa as páginas. O livro é uma delícia. Li praticamente em “uma sentada”, pois queria saber o destino dos personagens. O trágico final nos deixa com uma questão, afinal qual será o meu (o seu) momento de trégua? Recomendadíssimo!!! Assim como a Borra de Café, também de Benedetti. Esse autor nos brinda com romances delicados que perpassam os diversos sentimentos e acontecimentos humanos, assim, sua obra é mais romanesca do que política, mas eu gosto mesmo assim.