O futuro, a praia e Karim

Finalmente estreou em Belo Horizonte o novo filme de Karim Aïnouz, Praia do Futuro. Uma produção bem diferente das demais realizadas pelo diretor. Eu sou fã de carteirinha e não perco os seus filmes. Madame Satã, o Céu de Suely, Viajo porque preciso e volto porque te amo. Karim já se tornou um diretor preferido de muitos viciados em cinema. Não à toa, a sessão que fui estava lotada.

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A história, contada em capítulos (isso já está batido, hein?), narra a história de três personagens Donato (Wagner Moura), Ayrton (Jesuíta Barbosa) e o alemão Konrad (Clemens Schick). Donato é um salva-vidas que perde uma vítima por afogamento. Esse episódio o faz aproximar de Konrad. Eles vivem uma história de amor  e Donato abandona a vida na praia do futuro e vai para a Alemanha. Anos mais tarde o seu irmão, que já não tinha mais ninguém em sua família vai em busca de Donato.

Ao chegar encontra Donato trabalhando como limpador de aquário e o romance entre o brasileiro e alemão já rompidos. Uma vida diferente daquela vivida em Fortaleza. O frio, o isolamento e a distância transformaram o ex-salva-vidas. A chegada de Ayrton promove uma reaproximação de Konrad e Donato. Este não queria mais voltar, ali, naquele terra distante, ele refez a sua vida, encontrou o seu lugar no mundo e por ali, continua.

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A praia do futuro é um filme masculino, literalmente. Os personagens são homens e vivem dramas do amor e das vontades masculinas. Acredito que são 2 mulheres que aparecem rapidamente no longa.

Vi uma entrevista de Karim e ele disse que esta é uma proposta que ele está bastante curioso, e ainda não está totalmente resolvido. Por isso, pode ser que ele produza outros filmes com a temática parecida.

Praia do futuro foi realizado em coprodução com agências alemãs. O filme concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, mas não levou. Assim como outras produções do diretor cearense, o filme preza pela contemplação, cenas longas, paisagens desérticas e a emoção a flor da pele. Claro que, foge dos padrões hollywoodianos e dos estereótipos do cinema brasileiros: cine favela e comédia.

Amante a domícilio e eu me deixar levar por Wood Allen

Eu de novo aqui a falar do Wood Allen, e, pra variar, não posso deixar de mencionar a minha relação de amor e ódio pelo diretor. Wood tem a uma vida privada polêmica, uma carreira sólida no cinema, de fases boas e más, como qualquer artista. Fiquei um tanto decepcionada com algumas de suas produções, tal qual Meia Noite em Paris e À Roma com Amor.

Voltei a fazer as pazes com ele em “Blue Jasmine” e me deixei seduzir pelo “Amante a domicílio”, a última produção do diretor judeu, nova-iorquino e músico, Wood Allen.  Ok a película não é está entre os melhores do diretor, mas, tem um toque de leveza e de ironia que me encantaram.

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Não vou nem comentar da horrível tradução do título – Amante à domicílio – que não nos diz muita coisa do filme. A história é sobre dois amigos – Murray (Wood Allen) e Frioravante (John Turturro) que em uma má fase econômica resolvem ganhar dinheiro vendendo encontros sexuais. A proposta é feita pela médica de Murray, que deseja fazer um “ménage a trois”. Sem pestanejar Murray, indica seu amigo Frioravante para um encontro por U$1.000,00, sabendo que o amigo estava com dívidas.

Friorivante não é um galã. Ele é um homem de meia idade, que trabalha em uma floricultura e é super sedutor (a cena para convencer Friorivante a “se vender” é hilária).  Sabe homem de alma feminina? Muito sensível no trato com as mulheres, prepara jantares e leva flores? Ele então faz alguns encontros e tem sucesso na empreitada, apesar de viver um conflito por estar fazendo isso. No entanto, ao ser apresentado para Agvil, muita coisa vai mudar. A relação deles é de uma delicadeza! Ela é uma judia ortodoxa e viúva, o que a deixa quase intocável.

 

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Adorei o modo irônico que o diretor trata a questão judaica, o julgamento dele mesmo, e da mulher que foi tocada por outro homem. Ela chorou depois de ser tocada, não por remorso, mas, por solidão. Wood foi “salvo” mesmo descumprir as regras religiosas.

Gostei da fotografia e claro, da música, sempre em ritmo de jazz.

Nesse filme, Wood deixa de ser o sedutor de menininhas e passa a ser cafetão. Boa ironia, hein?!

 

Tá Wood, você me convenceu. Digamos que também fui seduzida por Fioravante.

 

Marina

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Marina é título do filme dirigido por Stijn Coninx, que conta a história do cantor Rocco Granatta, e também é o nome da canção que fez com que Granatta se lançasse ao mundo.

A produção é ítalo-belga, assim, conta com atores de ambas as nacionalidades e também com a paisagem dos dois países (o que acrescenta muito à fotografia!!!). Rocco Granatta nasceu na Itália e  ainda criança se mudou para a Bélgica, pois, seu pai conseguiu um emprego para trabalhar em um mina de carvão. Da infância a vida adulta Rocco dedicou-se a estudar música, mas, sua mudança para a Bélgica mostrou para ele que deveria se virar. Aprendeu a falar o idioma tomando várias pancadas e se enturmou com os músicos locais. Seu pai exigia que ele tivesse um trabalho, ele tentou trabalhar em uma oficina mecânica, dividindo o dia na oficina e as noites nos bares.

Ele se apaixona por Helena, a filha do dono do armazém que queria que ela tivesse um relacionamento com um italiano. Eles se aventuram, se arriscam, ela sofre um abuso e vai para os Estado Unidos. Seu pai sofre um acidente na mina e parece que tudo está perdido em sua vida. Até que, a música Marina, que Rocco e seu grupo gravam sem muita pretensão, estouro na Bélgica e em outros países do mundo. Isso o “salva” do destino de também trabalhar em uma mina.

A história se passa no pós 2ª guerra e mostra uma realidade cada vez mais aparente na Europa. A imigração dos italianos para a Bélgica para trabalhar em subempregos. O filme deixa nítido o problema, que até hoje, o país enfrenta com a imigração. Aliás, não só dos italianos, mas, de outras nacionalidades.

Apesar de não ser o meu filme favorito dos último tempos, gostei de conhecer a história desse cantor, pra mim até então desconhecido, e também de pensar um pouco sobre esses problemas sociais que por aqui, muitas vezes, nos escapa.

 

Uma viagem extraordinária.

Quer me chamar pra fazer algum programa? Me chame para ir ao cinema. Se não quiser também não tem problema. Aliás, já fui várias vezes sozinha e não tenho problemas em entrar nas salas sem companhia. Não sei se já falei aqui, mas para mim a 7ª arte é uma das coisas que respiro e não consigo viver sem. Tenho certo preciosismo e costume escolher bastante os filmes que vou ver. Pode chamar do que quiser… eu gosto mesmo de cinema bom. Por isso, só negarei  o convite se estiver relacionado a algum filme blockbuster de ação ou comédias românticas.

Todo esse preâmbulo foi necessário para que pudesse apresentar os filmes que vi nas últimas semanas. Tivemos vários feriados e isso ajudou a me tirar da toca e acompanhar os últimos lançamentos cinematográficos. Nessa semana, vou postar aqui um filme por dia, para que o post não fique assim… tão gigante.

Aconteceu em BH, no mês de abril, o Festival Varilux. Adoro esse festival e, quase sempre, vou a pelo menos um filme. As novidades são boas e normalmente são de filmes que não estrearam no grande circuito.

Esse ano assisti a Uma viagem extraordinária, de Jean-Pierre Jeunet, o mesmo diretor de Amélie Poulain. O filme conta a história de garoto superdotado que percorre os EUA em um trem de carga para ganhar um prêmio sobre a sua invenção: uma máquina de movimento perpétuo. Mesmo sendo apenas um menino de 10 anos, ele já passou por uns maus bocados, como carregar a culpa pela morte do irmão; a desatenção de sua mãe, que dedica a vida pesquisa insetos; e não compreender o amor incondicional de seu pai por seu irmão gêmeo. Destemido ele foge de casa e atravessa os EUA. Ao chegar na premiação todos se surpreendem pela juventude do inventor. O filme é emocionante, mas tenho algumas críticas.

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Ele foi exibido em um festival de cinema francês, no entanto, foi produzido no Canadá e a história se passa nos EUA, ou seja, a língua era o inglês. Foi uma experiência um tanto quanto inusitada. Outro fato é a direção de Jeunet, ele repete as mesmas associações que faz em Amélie. Lembra dos recursos de animação ou de fazer um recorte na narrativa para lembrar de algum fato? Pois é… novidade nenhuma. Pelo que li em algum lugar, não me lembro exatamente onde, o garotinho é tão famoso nos EUA que por vezes o diretor repensou no protagonista. O ator é superdotado também na “vida real” e já assume vários trabalhos, o que provocou a extensão do tempo das filmagens.

 

E você foi ver algum filme do festival?

 

NINF()MANIACA

Tive a oportunidade de assistir ao filme Ninfomaniaca vol. II no último sábado e me surpreendi com a obra intelectualizada do polêmico diretor Lars Von Trier. Já havia comentado aqui da minha surpresa e admiração por este diretor. Esta obra especialmente é recheada de referências estéticas e literárias difíceis de digerir, por isto, talvez, tanta crítica e tanta falta de compreensão.

Não entendo as pessoas que falam: gostei mais do I. Ou gostei mais do II. Atenção é um filme só. Ele foi dividido, pois, a versão completa alcança 5 horas e meia. Claro, que há uma óbvia necessidade dessa divisão, mais até que o fator tempo de exibição. É a própria divisão cronológica da personagem. No primeiro volume ela conta sobre a sua relação com o sexo desde sua infância, até a adolescência. No segundo volume ela já é adulta, mãe e ainda não suficientemente satisfeita com as relações que se propõe.

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Ninfomaniaca é uma obra psicanalítica e religiosa ao mesmo tempo. A relação de Joe (Charlotte Gainsbourg) e Seligman (Stellan Skarsgård) é um misto de confessionário religioso (no volume II ficamos entendendo que Seligman dedicou parte da sua vida à religião, será ele padre?) e de sala de analista. Isto porque em vários momentos há uma tentativa de Joe de confessar os seus pecados, e, logo, livrar-se de sua culpa, e ao mesmo tempo, há uma tentativa de Seligman fazer digressões analíticas a respeito de cada capítulo contado.

Joe relata que em seu primeiro orgasmo (voluntário) ela visualizou duas imagens santas relacionadas a exaltação sexual e, desde então, se viu presa ao seu próprio desejo de gozar. Ela mantinha relações sexuais com vários homens e eles não a realizavam. Não enchiam os seus buracos. (Vide a psicologia, encher os buracos se refere a necessidade constante de preenchimento, no caso de Joe era o sexo, mais o buraco pode ser a vontade de comprar infinitamente, de usar drogas, de se satisfazer, de cobrir os desejos).  Ela se submete a sessões sadomasoquistas na qual tinha o corpo amarrado e era agredida por um homem que tinha o prazer em espancar mulheres e só volta a gozar depois de receber 39 chibatadas (algo semelhante a crucifixação de Cristo).

Além disso, é inegável que Joe nada mais é de que uma “Loba da Estepe”,  ou o que Hermamm Hesse entendeu como a dificuldade de entender a felicidade das pessoas normais, cuja a alegria não lhe diz respeito. Joe se sente bem com a sua compulsão e não quer se livrar dela, ela se reconhece como tal, e não vê problema nisso. O olhar da sociedade sobre ela é muito forte e faz sentir culpada. Ainda mais por se tratar de uma mulher.

Nesse sentido, algumas questões são levantadas: e se tratasse de um homem, isso seria normal? E se um homem deixasse a família por um desejo seria aceitável? A polêmica é porque ela é uma mulher? E aí, o que você me diz sobre isso?

 

Esperando o Robocop chegar

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Na última quinta-feira fui ao cinema assistir ao filme Robocop. Eu, como estudante da convergência, fiquei com a cabeça a mil, pensando na construção daquele ciborgue e na relação homem máquina (óbvio), e pensei em outros pontos que o película ressalta também. Vou contar um pouco das minhas reflexões.

Não me lembro da primeira versão, espero vê-la em breve, e imagino que não há tantas diferenças para a versão de 2014. Fato é que, Robocop é um experiência de uma empresa de marketing e uma de segurança para tentar diminuir os índices de violência em Detroit (EUA). A experiência com robôs já era utilizada em países do Oriente Médio na tentativa de pacificar Irã, Afeganistão e outros, de acordo com os argumentos do filme. Porém, o uso de máquinas para combater a violência em território americano, vira pauta de discussão. A população não aceita algo sem sentimento, como os robôs, para combater o crime. Em busca de uma solução, um marketeiro pensa: porque não fazer um homem-robô para este serviço? Para tanto se une a um médico, especialista em recuperação de amputados, para concretização de sua ideia.

Robocop então é desenvolvido para se tornar um herói contra o crime. Ele não é só homem, tão pouco, é só máquina. O corpo é uma prótese e a mente está no comando. Assim, por mais que os especialistas tentem o programar, ele é capaz de reprogramar. Não é a máquina que está no controle, mas o homem. Isso é fato.

Pode parecer ridículo tudo o que vou dizer a partir de agora, mas foram as minhas impressões: Estou esperando o Robocop chegar. Sério! Assim, como em Detroit de 2019, o Brasil tem sobrevivido a um alto índice de violência. Atos cada vez mais bárbaros se tornam estampas do jornal. A mídia reforça a cada dia os crimes e a violência. Nos deixa com a sensação de reféns o tempo todo. Quem vive em um grande centro, não sai de casa sem estar preocupado, sem desconfiar de quem está parado em um esquina (será a espreita de mais um crime?). Assim, imagino que não vai demorar muito para uma criação como o Robocop se tornar real ou algo que possa “salvar” a humanidade. Não sei até que ponto estamos sendo manipulados, ficando reféns da informação, e até que ponto essa onda de violência toda é resultado da desigualdade social no nosso país. A mídia tem utilizado de imagens violentas para nos deixar amedrontados. Por isso, já imaginou se um Robocop andasse pelas ruas da cidade?

Não poderia ter tido diretor melhor para recriar o Robocop. Zé Padilha já tinha evidenciado em Tropa de Elite, o Capitão Nascimento, o herói contra a corrupção da polícia. O Capitão não precisava de roupa de titânio para combater a violência, ele usava de sua moral.

Pode parecer uma “viagem”tudo isso que eu disse. Você pode e deve pensar diferente de mim. A questão é que tenho pensando muito na violência que vivemos, no modo como a impressa conduz a nosso olhar para a realidade e na relação do homem com as tecnologias.  Robocop foi só um motivo para eu falar de tudo isso.

 

 

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E olha que não vai demorar. Notícia do Jornal de Notícias de Portugal: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3711044

Publicado em 27/02.

Mostra Passou Batido/Inéditos

Ótima notícia para quem é de BH e adora cinema: na semana que vem começa a Mostra de Inéditos/Passou Batido. Essa mostra acontece há vários anos na sala Humberto Mauro e eu sempre fico aguardando a programação, pois sei que só tem coisa boa.

Muitos filmes que nem deram as caras em BH ou que ficaram pouco tempo em cartaz. A programação você pode acessar aqui.

Já separei alguns filmes para ver. A questão é se vou ter tempo…. Os que não quero perder são:

O estranho no Lago

O abismo prateado

Caverna dos sonhos esquecidos

Tatuagem

A bela que dorme

Frances Ha

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Se alguém tiver alguma sugestão eu aceito! 🙂

A Mostra acontece entre os dias 10 de fevereiro e 13 de março.

 

Tristes notícias para o cinema

Hoje ao abrir o computador li uma triste notícia: o ator Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto. Choque! Como fiquei fora das notícias esse fim de semana, só vi a notícia agora pela manhã e fiquei alguns minutos sem reação.

Eu considerava Philip Hoffman um dos melhores atores americanos de sua geração. Desde “Felicidade” ao “Mestre” suas atuações foram impecáveis e sempre convincentes. Se Philip estava em uma produção, tinha certeza de que o filme era bom, ou de que, pelo menos, veria uma boa atuação. Segundo as notícias sua morte foi causada por overdose de heroína. Triste, mas muitas vezes é assim que os grandes artistas dão conta de enfrentar a vida.

ÍndiceR.I.P Philip Hoffman

PRINCIPAIS FILMES

– “Perfume de Mulher” (1992)
– “Twister” (1996)
– “Boogie Nights: Prazer Sem Limites” (1997)
– “O Grande Lebowski” (1998)
– “Felicidade” (1998)
– “Patch Adams – O Amor é Contagioso” (1998)
– “Ninguém é Perfeito” (1999)
– “Magnólia” (1999)
– “O Talentoso Ripley” (1999)
– “Quase Famosos” (2000)
– “Embriagado de Amor” (2002)
– “Dragão Vermelho” (2002)
– “A Última Noite” (2002)
– “Cold Mountain” (2003)
– “Capote” (2005)
– “Missão Impossível 3″(2006)
– “A Família Savage” (2007)
– “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007)
– “Jogos do Poder” (2007)
– “Dúvida” (2008)
– “Mary e Max: Uma Amizade Diferente” (2009)
– “Tudo pelo Poder” (2011)
– “O Homem Que Mudou o Jogo” (2011)
– “O Mestre” (2012)

 

Outro perda para o cinema neste fim de semana foi a do premiadíssimo Eduardo Coutinho, um documentarista brasileiro, que tinha em sua cinematografia os filmes: Cabra marcado para morrer, Edifício Master, Peões e As canções e outros.

Assim como Hoffman, a morte de Coutinho foi trágica. O seu filho de 42 anos é o principal suspeito pelo assassinato.

Eduardo_Coutinho

 

Um triste fim de semana para o cinema.

2 filmes e 2 livros

Uma das minhas metas neste ano é a de ler mais e ir mais ao cinema. São coisas que gosto muito, mas pela correria do dia a dia acabo deixando essas paixões de lado. O ano começou mais lento pra mim e por isso tive tempo de me dedicar à leitura e ao cinema.

Pra começar vou falar de 2 filmes que assisti neste fim de semana e que já estão na boca do povo. Claro que eu não poderia deixar de dar a minha opinião rsrs

O Lobo de Wall Street

Para um filme de Martin Scorsese não poderíamos esperar uma construção diferente, cheio de drogas, sexos e lavagem de dinheiro. O diretor gosta do tema, visto a sua filmologia composto por Taxi Driver e Os Infiltrados, para citar alguns. O filme conta a história de Jordan Belfort (Leonardo diCaprio), um jovem corretor da bolsa que depois de passar pela crise da “segunda-feira negra”, investe em seu próprio negócio. O problema que era um negócio sujo que envolve muito dinheiro e, sobretudo, lavagem de dinheiro. Belfort e seus amigos enriquecem de modo a não saber o que fazer com o dinheiro que ganham, por isso, gastam em festas, bebedeiras, iates, apartamentos e viagens, e claro, droga, muita droga. Maconha, cocaína, lude, limmon e outras. Sejam elas vencidas ou frescas, não importa. Eles querem ficar loucos e ricos.

A narrativa começa interessante e empolgante, em um velocidade inquietante. Talvez no mesmo ritmo que o efeito do Lude provocava nos corretores: exaltação, baba e depois você não se lembra o que fez. Isso porque depois da primeira uma hora e meia, o filme vai perdendo o time e fica meio xoxo, em vista do início da projeção.

Leonardo DiCaprio mostra mais uma vez uma bela atuação e assistir ao Lobo vale a pena para vê-lo. Ele está impecável. Em uma das cenas é possível se contorcer na cadeira de tanta risada (quem assistiu vai saber qual, mas não fazer spoiler). Ele é um concorrente forte ao Oscar de melhor ator, sobretudo, pelo conjunto de suas atuações. Vamos torcer!!!!

Ninfomaníaca

Lars Von Trier tem se tornado um dos meus diretores favoritos a cada filme. Em Ninfomaníaca confirmei minha predileção. Este é o terceiro filme da trilogia da melancolia, iniciado com O Anticristo e Melancolia. Depois de sair da sala de exibição li algumas críticas a respeito falando que era um filme com muitas metáforas e metido a besta. Não achei, mesmo. Sim, o diretor abusa de metáfora para tratar de uma pessoa viciada em sexo, no caso Joe (Charlotte Gainsbourg), mas faz isso de modo que o que menos importa no filme são as cenas de sexo e, claro, são váriasssss. O que mais importa e tentar entender o que levou Joe a ser encontrada jogada no meio da calçada parecendo que tomou uma surra. O filme se assemelha a uma sessão de análise, na qual o Saligman seria o analista.

Diante do burburinho anterior ao lançamento pensei que o filme seria mais sujo e não foi. A história mostra a facilidade de uma garota fazer sexo com qualquer um, mas não se envolver e não se apaixonar. O afeto não existe em Ninfomaníaca. Existe dor e também, obviamente, um complexo de Édipo mal resolvido. Estou aguardando ansiosamente a segunda parte.

Agora os dois livros.

Li nas primeiras semanas dois livros que mexeram muito comigo. Um deles foi Sal de Leticia Wierzchowski, a autora da Casa das 7 mulheres. O livro conta a história da família Godoy e se passa em La Duvia no Uruguay. Não é coincidência e busquei esse livro justamente por isso dãa;;; Bem, ele é uma colcha de retalhos contado pela mãe e pelos irmãos. A vários narradores e a história e bastante envolvente. Li em 3 dias na verdade, pois o livro de tomou e não queria parar de ler. A vida da família em uma ilha assegurada por um farol (virei a louca do farol depois que li esse livro) muda quando um estrangeiro chega e se envolve com eles. Não vou contar para não fazer spoiler. Esta obra é uma novela cheia de personagens que me lembrou muito Cem anos de solidão de Garcia Marques.

O azul é a cor mais quente, de Julie Maroh, li numa tarde de domingo. É um HQ que inspirou um dos filmes mais lindos que vi nos últimos tempos. É uma história lésbica como todos já sabem e conta os dramas de uma menina em descobrir os sentimentos do amor, do ciúmes, do desejo e o sexo. Achei interessante ver o filme e ler o livro quase em seguida, pois entendi que na película alguns informações que no livro são incompletas são evidenciadas no filme. Claro que o diretor alterou várias coisas, principalmente a morte da Adéle, que no HQ se chama Clementine. O livro e o filme são tocantes e sensíveis. Hoje em dia ambos estão circundados em polêmicas, que não quero tratar aqui, pois para mim o que mais importa é “não se escolhe quem a gente vai amar, e a nossa concepção de felicidade acaba aparecendo por si mesma, de acordo com nossa experiência de vida” (p.79).

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Indie 2012 – Mostra de Cinema Mundial

Hoje começa em BH a Mostra de Cinema Indie. A mostra acontece até o dia 13 de setembro nas salas: Humberto Mauro e  Oi Futuro (ou seja, as salas alternativas de BH).

Este ano a Mostra tem em sua programação um série de filmes dividos em: Mostra Mundial, Indie Brasil, Aleksey Balabanov, Kazuyoshi Kumakiri e Charles Burnett.

É sempre sensacional assitir aos filmes desta mostra. Todo ano tento ver pelo menos um. Pois não tenho mais paciência de ficar horas na fila esperando para pegar o ingresso. De qualquer modo, quando a luz da sala se apaga e o filme inicia é sempre uma surpresa. São sempre filmes muito bons escolhidos pelos organizadores.

Sabe aquele programa que você fica o ano todo esperando? O Indie é assim pra mim. Fico com muito expectativa para ver a programação. Apesar de que, na maioria das vezes, entro na sala sem saber muito bem o que está por vir. E isso é o mais interessante! Sempre descubro novos atores, diretores e outras estéticas cinematográficas.

Então pessoal, o Indie 2012 começa hoje. Para consultar a programação acesse: http://www.indiefestival.com.br/2012/bh/about.php

Ps: Essa mostra que começou nas salas de BH, há alguns anos, também alcançaram as salas de São Paulo. Quem estiver por lá no final de setembro pode conferir os filmes Indies da mostra.