Mais empatia, se faz o favor – parte II

A seguir ao post sobre ter mais empatia quando for referir ao corpo de alguém. Quer dizer, o que você tem a ver com o corpo do outro mesmo?!

Resolvi escrever outro que envolve também a empatia, mas em outra perspectiva. Aquelas das quais talvez você só aperceba quando estiver em alguma das situações consideradas “prioritárias”. Ou seja, ser uma pessoa com deficiência ou incapacidade, ter idade igual ou superior a 65 anos e que apresentem evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais, estar grávida ou acompanhar crianças de colo (de acordo com o decreto lei português n.º 58/2016). Por falta de educação, precisou virar lei. E, mais… as instituições que não respeitam ou não atendem os prioritários pagam multa.

Mas, e as pessoas que não respeitam a prioridade, fazemos o que?

Por vezes, deixo esta questão de lado… mas os próprios atendentes me lembram: É um direito seu. E eu digo: sim, eu sei, mas para evitar ouvir asneiras ou por ter outras pessoas aparentemente são prioridade deixo passar.

Em outros, não! Sobretudo, no transporte público onde podem acontecer travagens, acidentes e situações inesperadas. Se vejo que não há lugar, inclusive no que diz: RESERVADO PRIORITÁRIOS. Peço licença e digo: pode me ceder o lugar? afinal estou grávida. A pessoa olha faz uma cara estúpida, mas sai. Já tive que fazer isso algumas vezes. Em algumas situações, pessoas – que não estavam fingindo estar dormindo ou utilizando o telemóveis – me cederam lugar. Até já aconteceu de estar em pé e alguém pedir para outra se levantar para ceder o lugar.

Se você ainda não pensou sobre isto, pense na seguinte situação: O ônibus ou o metro faz uma travagem de urgência. O que normalmente acontece? As pessoas se deslocam pra frente ou até caem. Minha gente, uma pessoa listada como prioritária cair é um perigo! Portanto, fique atento a quem está a seu lado. Seja gentil, ceda o lugar.

Aliás, até reparo que existe até mais respeito por grávidas ou de pessoas com crianças no colo, do que com idosos. Até por que viver em um país com grande parte da população idosa, parece que a idade não seja condição de prioridade. E há mais, pode-se passar por uma situação constrangedora de dizer: vá o senhor tem prioridade, quando na verdade tem menos de 65 anos.

Isto também acontece com as grávidas principalmente no começo da gestação, em que a barriga pode deixar dúvidas: será gordura ou grávida? Também já me aconteceu. Uma pessoa ceder lugar e a pessoa ao lado dizer: Nossa não tinha reparado, às vezes fico sem jeito para dizer, pois, pode ser que a pessoa não está, não é mesmo?!

Ok. Superado. Sentada. Seguimos viagem.

Sobre a condição de grávida, que é o caso que posso falar de momento (logo, posso estender sobre a prioridade com crianças no colo) algumas situações são constrangedoras e outras você acha que a pessoa sendo educada é um grande favor que está a fazer.

Bem, já ocorreram situações de estar em filas com pessoas acima de 65 anos e os atendentes darem prioridade a mim e os senhores e senhores ficarem a queixar-se. De modo geral, eu digo, sem problemas atenda a senhora. Por que penso realmente que não sou superior, melhor ou pior do que ninguém. Caso, contrário, finjo que não escuto e sigo em frente. Uma pessoa grávida sente dores nas pernas, nas costas e se fica muito tempo em pé na mesma posição os pés incham e é mesmo desconfortante. Se não sabia, é bom saber.

Quando este texto ainda estava em fase de rascunho, aconteceu uma situação que preciso compartilhar: entrei no autocarro e falava ao telemóvel. Não tinha passe, portanto, tinha que pagar com dinheiro. O motorista pegou o dinheiro, deu-me o troco e ficou a minha espera. Não entendi muito bem, porque não arrancava. Passado alguns segundos entendi e logo procurei lugar. Ele só arrancou depois que estava sentada. Ao lado, ouvi burburinhos… é respeito à gravidez. Agradeci.

Vi mesmo que precisava terminar o post.

Agora mais pro final (estou de 33 semana, quase 34) com a evidência da barriga me parece que as pessoas ficam mais solicitas e compreensivas.

No entanto, ainda há muito que preciso melhorar para as pessoas compreendidas como prioritárias. Ano de eleição para as autárquicas em  Lisboa não vejo muito a discussão sobre mobilidade urbana. Quer dizer, vejo por um ponto mais abrangente de ampliar linhas e tals (aquelas coisas que ficam bonitas sempre de um político dizer).

Mas e o acesso minha gente???? Me explica como um cadeirante pode transitar de metro pelas Linhas de Lisboa? Uma pessoa que leva um bebê ou mais de um nos carrinhos? Uma pessoa com pouca mobilidade? Sinceramente, Lisboa não é muito amiga das pessoas prioritárias. Pelo menos não garante a sua mobilidade. Há elevadores em algumas estações de metro, mas normalmente apenas de acesso a plataforma às roletas (não é isso, mas é único nome que me vem a cabeça). Depois ainda é preciso subir ou descer alguns degraus, que dificultam e muito a vida das pessoas. Quer ver? O exemplo mais icônico são as escadarias da estação Baixa-Chiado.

 

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E quando algumas das escadas rolantes estraga. Sim, pode ser o caos.

Já que Lisboa tem sido invadida por turistas e percebe-se uma preocupação em acolhê-los. Podia-se também pensar neles. Como fazer pra subir estas escadas com uma série de malas. Bem, aqui já desviamos de assunto. E pode ser assunto pra outro post.

O que queria dizer mesmo já foi: seja gentil, observe a sua volta, ceda prioridade e tenha empatia. E não é porque essas pessoas são melhores do que as demais, é porque custa. Uma hora, seja por um motivo ou por outro podemos estar nesta situação.

 

 

 

 

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