Não pedi nada

Em duas situações, uma em Istambul e outra em Lisboa, me senti uma mendiga. Mesmo não tendo pedido nada. Entretanto, o coração das pessoas resolveu entender assim.
Em Istambul dou até razão pra quem nos deu um chá preto às 7 horas da manhã, na porta do aeroporto, depois de uma noite mal dormida no chão do lugar.
Em Lisboa fiz uma ação por boa fé: expliquei e levei um casal de turistas para o ponto desejado e ganhei um dinheirinho.

Mendiga em Istambul

Na passagem de ano 2015-2016 fomos para Istambul, onde ficamos 10 dias e apanhamos os inesperados -7 graus de temperatura. Foi uma viagem incrível. Nosso primeiro contato com o mundo muçulmano, em que aprendemos um monte e buscamos explorar cada esquina da cidade.
Na noite que antecedia o nosso voo de volta pra casa foi preciso dormir no aeroporto. Isto porque o voo era cedo, o aeroporto era longe, o transporte pra chegar lá era escasso e não nos atenderia para o horário que precisávamos. Decisão: dormir no aeroporto. Aliás, esta ideia foi comum a vários turcos e turistas, uma vez que, mesmo sem funcionamento durante a madrugada o número de viajantes era grande e as cadeiras disputadas. Dormimos no chão mesmo.
Ao acordar queríamos pelo menos beber algo quentinho. E nada melhor que o chá turco. Ao fim da viagem, como de praxe, tínhamos umas míseras moedinhas para não voltar com o dinheiro local pra casa. Por isto, o que tínhamos era suficiente para compra 2 chás no centro da cidade, mas não no aeroporto. Aliás, não dava nem pra 1 chá.
Maridinho, que tem um jogo de cintura como ninguém, decidiu que ia tentar pelo menos um chá. Eu, em meu pensamento positivo, já idealizava que ele voltava com dois copinhos. Eis, que realmente ele não conseguiu comprar, mas um senhor que estava na fila ouviu a conversa ofereceu a ele um copo. Enquanto estávamos lá sentados comemorando aquela vitória chegou um rapaz e nos ofereceu mais um copo de chá. Assim, ficaria uma para cada.
Agradecemos e ainda voltamos com a moeda local.

Guia turística “marroquina” em Lisboa

seterios

Esta semana, ao fim da minha caminhada matinal (para o bem da saúde, me deparei com um casal de turistas franceses perdidos. Com cara de perdidos. Com mapa na mão e realmente sem saber pra onde ir. Quer dizer, eles queriam ir para o centro da cidade… mas onde estavam estava complicado.
Eis que perguntei: Precisam de ajuda? A senhora mal falava inglês e o senhor nada. E vamos combinar que o meu inglês não é lá essas coisas. Nos entendemos e disse que estava indo pra perto da estação que precisavam pra chegar ao centro. No caminho dei dica do restaurante, que costumamos frequentar, que é muito bom. Fui tentando explicar algumas coisas e logo que chegamos próximo a estação do metro a senhora colocou 5 euros na minha mão.
Eu neguei. Era só boa fé.
Eles insistiram.
Fui pra casa me sentindo uma guia turística marroquina.

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