notas sobre umas voltas pelo Brasil

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“Brasil, meu Brasileiro…” tenho entoado esta canção em tom de ironia sempre que vejo algo mau por aqui.

Antes de ir para Lisboa, há um ano atrás, eu já não identificava tanto com a vida no Brasil, os hábitos, algumas formas de expressão etc. O fato de atravessar o oceano deixou isso ainda mais em evidência. E o retorno para as terras tupiniquins evidenciaram essas minhas impressões em cores neons. Quem está lendo pode dizer: poxa, mas você é brasileira, aqui foi onde você nasceu, você deveria defender o seu país, deveria se orgulhar disso. Claro, que minhas raízes estão aqui, mas há uma série de coisas que não concordo e não me identifico. Este post queria destacar algumas delas. Não estou falando de política, não quero entrar neste campo. Afinal este é um problema para todo lado e não é essa questão que quero tratar. Sabemos que por aqui há corrupção e a crise está latente, mas me responda em que lugar no mundo isto não está ocorrendo? Bem, já que o assunto não é esse vamos falar do que interessa.

Quando digo isto refiro-me às coisas banais e quotidianas como respeito com o próximo, por exemplo. Só para ilustrar devo dizer que durante este ano em que estive em Lisboa não ouvi nenhum carro com o som ligado ao máximo, não tive problemas para dormir porque os vizinhos faziam festas até altas da madrugada, também não fui abordada por um homem na rua dizendo quaisquer palavras de baixo calão, em nenhum momento durante os trajetos nos transportes públicos fui interrompida por alguém para que pudesse contar sobre a sua infância até a sua vida adulta.Lá cada um tem o seu espaço e respeita o espaço do próximo. Pelo menos foi esta a minha experiência.

Outra questão é a sensação de segurança. Em Lisboa há batedores de carteiras sim. Inclusive no metro sempre ouvimos “cuidados com os seus pertences”, no entanto, nunca tive problemas. E andar pelas ruas ou de carro é algo tranquilo, sem “neuras”, ou preocupações se você será abordada na próxima esquina. Tá daí você diz mais uma vez, mas aqui não é assim, você pode ter uma vida tranquila. Sim, claro, por isto gastamos balúrdios com segurança, câmeras, seguros etc. E talvez mesmo que você nunca tenha sofrido um assalto, porém você sabe que não pode dar bobeira, e, provavelmente, conhece alguém que já teve a casa roubada, o carro, a carteira etc. E se não conhecer sabe que isto por aí, basta ligar a tv ou abrir jornal. Aqui temos uma sensação de insegurança muito grande. Meu namorado, que é português, ficou por aqui um mês, a princípio com apalpando o terreno e percebendo se era tudo isso mesmo que era noticiado. Bem, no fim ele percebeu que é tranquilo, mas, claro, sem dar bobeira. Aliás, ele aprendeu que este é o lema por aqui… “Vá, fotografe, mas logo guarde a câmera. É tranquilo, só não dê bobeira”. Ele veio e voltou sem nenhuma ocorrência. Quer dizer, ele perdeu o celular, por pura bobeira.

Outra coisa são os serviços. Alô povo do turismo! Vamos reavaliar a situação que não tá boa não. Estivemos em algumas cidades do interior de Minas e foi difícil achar lugar pra dormir ou comer, sabe por que? O turismo é só de fim de semana. E como fomos durante a semana encontramos muita coisa fechada. E mais, as pessoas preferem ficar com os quartos vazios a negociar uma hospedagem por uma noite. Tem um caso que preciso contar: estávamos em Tiradentes procurando um lugar para passar a noite, as pousadas tinham diárias de 130 a 260 reais. Encontramos uma e perguntamos: vocês tem quarto disponíveis? Sim, claro. Quanto é a diária R$260,00. O quarto cheirava a mofo e era minúsculo. Daí fizemos uma cara estranha e a senhora perguntou até quanto pretendíamos pagar e o boy respondeu que era até 200 reais (claro que depois revimos isso). E ela disse: cobramos este valor, porque preocupamos com os detalhes, inclusive, o nosso papel higiênico é de folha dupla. Gente, ao sair da pousada não conseguia parar de rir, como assim, me convence que a pousada é boa pelo papel higiênico??? Ok, demos mais umas voltas, encontramos uma pousada mais em conta a de 130 reais, com o quarto mais arejado e sem cheiro de mofo, porém, o papel era folha simples. Ah! Éramos os únicos hospedados.

Sobre as estradas. Olha, isto está ridículo. E pior, ainda cobram pedágios por estradas sem segurança, mal sinalizadas. Nesta mesma viagem a Tirandentes quase morremos. Havia um quebra-molas sem aviso, nem iluminação. Tive que frear bruscamente (olha que nem estava tão rápida assim) e ao fim do lomba havia uma mureta dizendo que o trânsito estava impedido. Sério! Foi um susto danado. Neste momento estávamos conversando sobre a falta de sinalizações das estradas. Sem contar na agressividade com que os caminhoneiros percorrem as vias, parecia filme de terror. O tempo da viagem fica longo e o percurso cansativo. Outra fator que precisa melhorar e muito por aqui.

Tem só mais um caso que não resisto e preciso contar. Sobre os serviços de restaurantes. Alô, alô! Esta taxa de 10% é opcional ou não é? Porque se a gente não quer pagar logo se leva por lado pessoal e as caras se fecham o que parece que isto é uma obrigação. Gente, há de existir algo mais ridículo que isto. Se eu achar que o serviço atendeu minhas expectativas dou gorjeta ao garçom e não mais uma taxa ao dono de restaurante. Por aqui, comemos comida congelada e esquentada em microondas, sanduíche de frango com quase nenhum recheio e esperamos por quase uma hora para que a comida chegasse na mesa. Vou relatar este último caso. No último dia do boy estávamos em SP, queríamos jantar num lugar bacana afinal era o último dele aqui e ainda estávamos comemorando um ano de namoro. Pesquisamos e encontramos um muito bem conceituado e obviamente com uma conta de cifras altas. Entre o pedido e a comida chegar a nossa mesa passou-se uma hora. Gente, uma hora! Eu já estava desfalecendo na mesa. Os garçons foram ótimos, não podemos dizer ao contrário, no entanto, esperar tanto tempo por refeição que nem estava tão espetacular quanto diziam as críticas foi demais. Na hora de pagar a conta recusamos pagar a taxa de serviço. Pra quê? Fomos cercados por 3 funcionários querendo saber o motivo.

Talvez o melhor seja que ainda que levamos na piada. Precisamos reclamar mais, e não tô falando de ir pras ruas, porque isso já tá batido. É falar do que não gosta nas pequenas coisas, aceitamos muita coisa quietos, temos medinhos e aceitamos muito serviço ruim. Se a gente aprendesse a falar talvez algumas coisas pudessem mudar. Daí começando das pequenas atitudes, talvez criássemos coragem para mudar coisas maiores.

Eu queria falar de outras coisas, por isso, pode ter ficado meio confuso. E você pode achar que tudo isso são coisas pequenas. Porém, quando você quer mostrar algo interessante do país, algumas coisas escapam e nem tudo fica tão bonito quanto parece. Só para mais uma vez não falar de temas polêmicos como a desigualde, o problema de saneamento básico e outros.

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