Vida que segue cheia de mudanças

Coração que solta pela garganta.

Poros abertos para o novo.

Inconstâncias de viver na corda bamba.

Viagens aleatórias para desbravar o mundo, sem medo do que vai encontrar.

Nada de hora, de celular ou de alguém para justificar (filha de chocadeira).

Perda de chave de casa e o encontro de novas.

Meses de intensidade, de perdas e ganhos, ganhos, muito mais de ganhos.

Mudanças a cada minuto.

Aprendizado de novas expressões, sensações e de visões sobre o que é a vida só ou a dois.

vida que segue, sempre segue… em deriva.

Minha vida cabe numa mala de 8 kg

Normalmente, quando vamos viajar, nos enchemos de dúvidas sobre o que levar ou não. Claro, depende do sítio, do clima, do tempo que vai permanecer. E daí que você vai passar 10 dias na Inglaterra em pleno outono, ou seja, em temperaturas bastante amenas para brasileiros, ou 7 dias na Espanha nas mesmas condições (obviamente apesar da mesma estação, as sensações térmicas são bem distintas). Só que, você vai viajar de avião em companhia low cost, o quer dizer que você só pode levar uma pequena mala de cabine e uma bolsa de mão, pois, se não, paga taxas extras que podem sair quase o mesmo preço da passagem. Por ademais dos 10 dias, ia transitar, pegar ônibus, trem e metro. Não podia ser uma bagagem grande, tampouco pesada.

Bem na primeira experiência referida foi dureza. Estava pouco preparada para enfrentar as baixas temperaturas e esta novidade de pouca mala… daí imagina, casacos, calças, botas… afff faltava mala para tanta necessidade. Fiz a mala toda, depois desfiz, não ia caber. Fui com que era possível levar e lavar no banheiro dos hotéis. Obviamente tive que lavar roupas para conseguir usar por mais de uma vez.

O que interessa neste caso é que sobrevivi e achei a experiência ótima. Sim, minha vida cabe numa mala de 8 kg com um mínimo necessário para sobreviver. Bem no estilo minimalista que tenho me inspirado ultimamente. Foram duas calças (uma que viajei) e outra na mala, uma saia e uma legging (que é uma ótima conselheira neste aspecto), dois casacos (que na volta foram os dois comigo), um vestidos, umas 4 camisas de manga cumprida e uma térmica, duas botas e claro os produtos de higiene. Acho que foi só isso mesmo rsrs. Agora, imagine outra coisa, Londres tem um tanto de coisa linda… e não resisti e comprei várias… pra voltar… sufoco de novo. Cheguei com tudo intacto no aeroporto de Lisboa.

Nesta semana viajei para a Espanha, de ônibus, ou seja, não precisava se uma mala tão pequena neste caso. De qualquer forma, achei tão válido que nem pensei duas vezes: transformar meu armário novamente numa mala de 8 kg. Faltam só dois pra viagem acabar e nem usei a metade das roupas. Sim é possível sobreviver… para as fotos trocam-se os lenços e cachecóis. Para viajantes, viajeiros… claro que a bagagem volta mais cheia… mas de histórias e aventuras para contar.

A necessidade de ser forte para se conhecer a si mesmo

A minha empreitada na Europa tem dois sentidos, o principal deles é o de fazer parte do doutorado (que incluso anda assim, assim…), e o outro que não tem como escapar é de fazer uma varredura interior… pensar e repensar, aprender, sentir e viver (esta está de vento em popa). Os meus planos, desde que saí do Brasil, era ficar a maior parte do tempo sozinha para dar conta de fazer isso. Acontece que, só depois de dois meses tive esta oportunidade. Claro que em Lisboa já fiz várias reflexões, importantes até, de como tenho levado a minha vida, de como tratei as minhas relações (em todos os níveis e sentidos). No entanto, foi só quando parti para a Espanha na última sexta-feira, tive condições de ficar totalmente sozinha… e quer saber, já me sinto sufocada por esta solidão toda. Já sinto vontade de conversar com meus amigos, meu namorado, minha família. E está… cada um cuidando da sua vida, seguindo o seu caminho, claro, não podia ser diferente. Entretanto, foi algo que eu quis. Não chamei ninguém… não queria ninguém por perto, como muitas vezes, já fiz… esta minha capacidade de romper tudo. Já dizia a Karina Buhr “não me ame tanto, não posso suportar um amor que mais do que, do que eu sinto por dentro… jogo tudo no lixo”. Pois… já cantei e delirei com esta música, hoje, tenho visto isto por outro lado, quero cuidar das relações, quero que as pessoas estejam próximas, quero cultivar, estar junto, e, se calhar, ter os meus momentos sozinhas, porque também são importantes.

A frase que inicia este post é do filme “Na natureza selvagem”, que já assisti há algum tempo, porém, não havia gostado. Achava banal… pensava e sentia como o personagem principal… uma vontade imensa de desbravar o mundo, jogar tudo para o alto, estar sozinha para me conhecer… tentar conhecer os meus limites. Agora estou aqui pensando que não tem a menor graça estar aqui sozinha, sem ninguém pra compartilhar. Tiro fotos, vejo coisas incríveis, sento para beber um café… sozinha, sozinha. Em Sevilha, conheci gente, saí pra conversar… e lá está, cada um foi para o seu canto e máximo que vai ser é mais um “amigo” no Facebook.

Em Granada, que é uma das cidades mais incríveis que já conheci, fiquei só… com pensamentos voando… tentando pensar no que vai ser daqui pra frente. Pensando que tenho gostado desta corda bamba que a vida proporciona… mas que ao mesmo tempo, para conseguir chegar ao outro lado, preciso estar concentrado e olhando para onde se quer se chegar.

A moral da história no entanto é a de que é impossível ser feliz sozinho. Última frase do filme. O personagem morre sentido isso, eu, ainda bem, descobri em tempo.

Enquanto isso, trilha sonora, só pra diminuir a arritmia: