Um filme ou uma sessão de análise: Les Combattants

Está acontecendo em Lisboa nesta semana o Festival de Cinema Francês, e, claro, não podia perder a oportunidade de conhecer a programação e a sala de Cinema São Jorge.

A escolha do filme foi totalmente aleatória. Li a sinopse e pensei que se tratava de uma comédia romântica (como é possível perceber aqui), era o filme que tinha no horário e fui sem muita pretensão: Les Combattants


A narrativa tem dois personagens principais, Arnaud (Kevin Azaïs) e de Madeleine (Adèle Haenel). Ele pretende ter um verão de diversão e de tentar se encontrar e ela passa o tempo treinando para entrar no exército. O encontro entre os acontece logo na primeira cena em uma disputa de força na praia, ela se mostra mais forte e ele por medo, a morde… A partir disso, se encontram outras vezes, sempre se estranhando e tentando perceber um ao outro. (Sim até aqui parece uma história romântica, não?). Ficam amigos, mas ela com sua frieza e determinação, parece não querer se envolver. Até que sim eles ficam juntos e blá, blá, blá.

O que me interessa falar aqui e o que me deixou com a sensação de deixar a sessão de análise, foi a forma como Madeleine lidava com a sua determinação e seus ideias predeterminados já que queria entrar no exercito: nada por horas a fio, utiliza telhas como peso para causar resistência, bebe suco de peixe batido (esta cena é nojenta), luta com meninos e está sempre na defensiva.
Ao conseguir se inscrever no curso que pretendia, com a ajuda de Aranud (e depois de uma típica cena de chuva, que indica que algo vai mudar), ela começa o treinamento e começa a se irritar com tudo, já que fugiam da expectiva criada: cama boa, lanche “junk food” e chocolates após o treino. Como ela imaginava que seria algo mais rústico e ela começa a se irritar. Além disso, ela não entra no espírito da equipe e sempre que fazer do seu jeito. Claro, porque ela só fazia o que queria, do jeito que queria e do modo que acreditava ser certo. Tinha uma convicção catastrófica do mundo e raramente estava satisfeita com alguma coisa.

O que era uma filme despretensioso, pelo menos era o que eu pensava, se tornou um filme que me afetou de tal maneira que no outro dia fiquei mal, tentando digerir o meu espelho ali projetado na tela. Esta digestão toda foi necessária para agregar aquela tal arte de perder que já falei antes. Esta determinação toda, esta vontade de “abraçar o mundo”, de querer saber tudo, de ter sempre razão… está na hora de começar a perder.

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