Vida Fake…

Vida Fake

Estou cansada de ver a vida inventada e postada na internet, mídias, redes sociais e afins. Na internet isso fica mais evidente, pois na web são os próprios usuários os “produtores” de conteúdo, assim postam o que querem mostrar:

– corpos perfeitos;

– viagens perfeitas;

– casa perfeitas;

– sorriso Colgate;

– casais perfeitos….

A internet virou depósito de vida imaginária, de representações de desejos e de causa de frustrações alheias.

Cadê os choros, os suores, os reais esforços? Cadê o sentimento de cansaço e de angústia? Cadê as brigas? Cadê as contas pra pagar? Cadê as desilusões?

Tudo na web parece ser perfeito demais.

Viva a vida fake!

Marco Civil da internet

A notícia desta semana, que ainda não acabou, é a aprovação do Marco Civil da Internet pela Câmara dos Deputados. O que vem a ser isto? Marco Civil da Internet é a iniciativa para regulamentar a internet no Brasil, o que pretende resguardar (ou pelo menos deveria resguardar) os direitos dos usuários na rede.

Claro que este é um tema polêmico. Há vários ativistas a favor e outros contra o texto. O Brasil, conforme notícias, é um dos países pioneiros em iniciativas como esta. Entre outras coisas, o Marco civil prevê: o princípio da neutralidade da rede, a reserva jurisdicional e a responsabilidade dos provedores. O texto aprovado ontem está aqui. E outras notícias e informações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

Eu ainda estou estudando as notícias e os argumentos para ter uma opinião formada sobre isso. No mais, deixo o espaço aberto para quem quiser opinar. E aí, você é contra ou a favor da regulamentação da internet no Brasil?

 

 

Arte no fim de semana: Orquestra Sinfônica e Irmãos de Sangue

Quando me refiro à arte, quero dizer de peças que me afetam, que me tocam, que me sensibilizam de alguma forma. Assim, entre vários artistas conceituados há vários que eu não gosto, pois, não não provocam nenhum novo sentido na minha percepção.

Pois bem, no último fim de semana pude apreciar duas obras de arte, uma musical e outra teatral. Sabe coisas de deixar arrepiado?

A obra musical foi apresentada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência de Marcelo Ramos, que tinha no programa Rachmaninoff e Guerra Peixe. A primeira peça teve a presença da pianista russa Kristina Miller-Koeckert, que propiciou ainda mais emoção pelo seu modo de tocar. A cada nota, um sentimento evidente. Estava tudo muito bem arranjado (não sou crítica de música e conheço muito pouco, mas quando o negócio está bom a gente sabe, né?), os baixos, a percussão, os violinos… lindo, lindo… fiquei em êxtase por alguns minutos, pensando em como era bom estar vivo e ouvir aquilo. A segunda obra, de Guerra Peixe, foi uma experiência diferente. Ainda não tinha vista algo assim, música clássica com mistura de música popular. Uma ode à Brasília e ao falecido presidente Juscelino Kubitschek.  Não posso negar que Rachmaninoff mexeu muito comigo.

A peça de teatro intitulada “Irmãos de Sangue” foi outra situação linda do fim de semana. Fui por indicação de uma amiga. Ela disse que tinha que ir, porque era lindo demais. Irmãos de sangue é uma narrativa sem diálogos (!), que conta a relação de uma família de três irmãos e uma mãe solteira. As histórias da infância, as brigas de irmãos… tudo muito bem dirigido, iluminado e atuado. É uma mistura de teatro, dança, mágica. Sim, mágica! Fiquei fascinada com “os truques” proporcionados em cena. A sensibilidade dos atores para contar uma história tão triste sobre a morte de um dos irmãos. Saí do teatro muito emocionada e querendo relembrar cada cena. É uma peça inteligente e brilhante. Palmas aos realizadores.

A peça está em cartaz no CCBB, até o dia 6 de abril. O ingresso é só R$10,00. Informações aqui.

Abusos. Marcha das vadias. Cairo 678

Esta semana uma notícia que me chamou a atenção não foi nada singela. Aliás, é difícil encontrar alguma coisa com poesia nos jornais, né?

Voltando ao tema do post.

Mulheres denunciaram homens que realizaram alguma forma de abuso dentro do metrô. Homens diante do metrô lotado, aproveitam para tirar “casquinha” das mulheres ou as filmam se estão “distraídas”. E mais, não só mulheres, homens e mulheres mais velhas também fizeram denuncias, de acordo com esta notícia. O que me faz pensar: o que dá o direito ao homem de encostar suas partes íntimas em uma mulher? O que passa na cabeça de uma pessoa filmar as partes íntimas de uma mulher de vestido.

Os machistas vão dizer: mas ela permitiu. Ou porque ela estava com uma roupa provocante. Esse pensamento comum a muitos homens se assemelha ao dos homens de países muçulmanos que fazem atrocidades com as mulheres. Vide o filme Cairo 678

Apesar de não ser ativista da Marcha das Vadias. Coloco em questão várias coisas que elas também se fazem: e o direito do corpo da mulher?

O corpo é da mulher e ela faz com ele o que quiser. Ela escolhe que roupa usar e quem irá tocar nele. Mulher não é propriedade de  homem nenhum. Quem dirá de desconhecido metido a besta que toca sem permissão.

Não quero sugerir aqui que as mulheres façam como fizeram no filme mencionado. Aliás, esse é um blog que sugere refletir sobre o singelo. No entanto, não deixe barato. Denuncie.

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Mesmo estamos avançado no tempo, em termos históricos. Muitos homens ainda pensam com cabeça de Neandertal. Tá na hora de evoluir!!!!

Internet, apps, liberdade, piratas

Você também acredita que a internet te ajuda em tudo e se questiona frequentemente como era possível viver sem ela até pouco tempo atrás? Se entrega às últimas novidades de aplicativos? Acha que o Google é a invenção do século? Posta toda a sua intimidade na rede?

É bom você parar um pouco para ver a entrevista de Evgene Morozov, pesquisador bielorusso, que pensa nas contradições da internet. A internet vai resolver o problema da desigualdade social? É possível acabar com a espionagem? O que as starups fazem com os dados dos usuários? O que os governos fazem com esses dados? Atualmente Morozov residente nos EUA e acredita que temos sendo influenciados por um discurso da tecnocracia da internet e que isto seria um modo alienante de ver o mundo.

Ainda tenho pensando muito nos seus argumentos. Posso dizer que me fizeram parar pra pensar nas atuais políticas de inclusão digital brasileira.

Veja a entrevista do Programa Milênio aqui.

Exposição de Fotografias no CCBB BH

No dia 26 de fevereiro foi inaugurada uma exposição de fotografias no Centro Cultural do Banco do Brasil BH, vulgo CCBB, cujo o título é “Um olhar sobre o Brasil”. E eu só consegui ir no último sábado.

A curadoria foi realizada por ninguém menos que Boris Kossoy e Lilia Schwarcz (talvez, por isso, tenha criado tanta expectativa). A exposição está ocupando todo o 3º andar do prédio na Praça da Liberdade com fotografias que tentaram fazer um panorama da história do Brasil e, evidentemente, da história da fotografia no país, de 1883 a 2013. Referências como Miguel do Rio Branco, Marc Ferrez, Sebastião Salgado, Evandro Teixeira e tantos outros foram evidenciados na exposição aqui em BH.

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Autor: Evandro Teixeiramarc ferrez

Autor: Marc Ferrez

A exposição promete, em sua sinopse, redescobrir a nação. Desculpas para quem gostou, eu achei que merecia mais. Na verdade precisava de uma organização melhor. Nas primeiras salas até entendi o que a exposição pretendia, mas do meio pra frente as fotos perdem a linha de raciocínio… e ficaram apenas um emaranhado de registros, sem necessariamente estar relacionados com a proposta da “história da nação”. Pensei que as fotos poderiam estar distribuídas por temas e não em uma linha cronológica. Políticas, trabalhadores, cidades, arquitetura, religião, estudos antropológicos… consegui visualizar várias categorias de organização ali. A linha cronológica também não dizia muita coisa, pois se referia somente ao ano que a fotografia foi feita sem ocupar uma relação direta com a foto ao lado. Aliás isso já foi superado, não?

Eu amo fotografia e já tinha visto várias  fotos em outras oportunidades. Saí de lá com uma sensação estranha. Talvez eu tenha criado uma grande expectativa; talvez eu esteja ficando cada vez mais crítica; talvez porque o espaço do CCBB não ajuda tanto, com um entra e sai de salas; talvez eu não tenha entendido a proposta; talvez… não sei bem.

E você foi? O que achou?

A exposição ficará até o dia 28 de abril. O horário de visitação é de quarta a segunda (terça-feira não funciona) de 9 às 21 horas. E tenta achar informações da exposição no site do CCBB. Encontrei poucas informações. E o Circuito Cultural da Praça da Liberdade da querendo atrair turistas?? Assim fica difícil.

Clube de Compras Dallas e a indústria farmacêutica

Clube de Compra Dallas ganhou fama pelo elenco impecável, tanto assim que os atores – principal e coadjuvantes –  receberam várias premiações por suas atuações, inclusive o Oscar. Além disso, o filme trata de um tema delicado de pessoas infectadas pelo vírus HIV, na década de 80, quando ainda pouco se sabia sobre a doença e os tratamentos para curá-la. Assim, muito se ouve dos preconceitos sobre quem poderia ser infectado: gays, prostitutas e viciados em drogas injetáveis. Mais do que isso, o filme trata de uma problemática ainda maior, sobre a milionária indústria farmacêutica e de que como esta indústria orquestra a manipulação dos medicamentos em doentes. Quem assistiu ao Jardineiro Fiel deve conhecer  os argumentos.

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É inegável  a brilhante atuação de Matthew McConaughey e de Jared Leto. Eles moldaram personagens convincentes e não  à toa mereceram a estatueta neste ano. E sim, a academia adora transformações. McConaughey emagreceu 18 kg e ainda ficou meses sem tomar sol para ficar a aparência de doente. Jared Leto, por sua vez, recebeu uma maquiagem que nos deixa na dúvida no princípio do filme: será homem ou mulher? O prêmio foi merecido e ponto.

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A história é do eletricista texano Ron Woodroof que foi diagnostica com AIDS em meados de 80 e fez de tudo para sobreviver, mesmo envolto, a sexo, drogas e rock n’ roll. De acordo com o filme, desafiou a justiça e a medicina americana e foi buscar tratamentos alternativos no México e no Japão. Sofreu e venceu algumas de suas causas, mas ainda assim faleceu em princípios da década de 1990.

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Penso que o mais importante na história toda e pensar (mais uma vez, já falei sobre isso aqui) de como somos manipulados pela mídia e pelas grandes indústrias, por inocência, por falta de informação, ou seja lá por que for. O fato que o filme traz à tona essa dimensão do uso de medicamentos sem muitos estudos (mesmo que no final eles relevem o uso do AZT) e de como a ciência em diferentes maneiras também procura solucionar os problemas de forma mais branda, como no caso do médico mexicano. Mas será porque que o remédio desenvolvido por ele não poderia entrar nos EUA? O que está por trás de todos os remédios que usamos? Eles realmente são eficazes? Qual a forma que foram testados? Por que não tentamos tratamentos alternativos e mais brandos? Ok. salvam-se um 60% e os outros 40%. Ok. eles morreram de outro motivo que a gente não estava cobrindo….

Se alguém já assistiu me conta o que achou. Este debate tem que continuar.

Já estava esquecendo do trailler:

Gloria – um filme sobre os sentimentos humanos

Ontem, ao invés de ir atrás do trio elétrico, fui ao cinema. Bem óbvio. Fui assistir a Gloria, o filme chileno dirigido por Sebastián Lelio e estrelado por Paulina Garcia, que trata de sentimentos humanos.

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Gloria já criou os filhos (e eles não tem tempo pra ela), separou-se há mais de 10 anos e gosta de curtir a vida. A personagem tem a vida preenchida por seu trabalho em um escritório e pela frequência a  bailes da terceira idade. Depois de já ter aprendido muito sobre a vida, Gloria quer mesmo é ser feliz. Dança, chora, se apaixona e se vinga, e ri, ri muito. Ela vive sozinha tem problemas com o vizinho de cima, em crise depressiva, que não a deixa dormir. Nos bailes conhece homens de diferentes tipos e por um deles tenta assumir um compromisso sério, porém, Fernandez ainda está preso à sua família. Ela, descolada que é, não se prende muito e quer mesmo viver a vida.

Há cenas hilárias e cenas tristíssimas também. Em alguns momentos você até pensa que Gloria poderia ter 18 anos, mas, não, ela está na casa dos 60. A película  é bem moderna pelo tema e pelos diálogos. O filme se passa no contexto das revoltas chilenas realizadas em 2012, quando os estudantes reivindicavam por um educação de qualidade no país. Além disso, remete a um tema pouco tratado no cinema: da vida de pessoas com mais de 50. Quando o cinema  fala disso é sobre o fim da vida, do sofrimento, da morte, haja vista os filmes “Amor” e “E se vivêssemos todos juntos”. Por isso Gloria chamou tanta atenção dos festivais. Paulina recebeu o urso de prata, no Festival de Berlim, por sua atuação. O filme é ousado mostra cena de sexo e dela fumando maconha. Mas que problema há nisso? Gloria é mulher com muita energia e com muita sede de viver, a idade, neste caso, é o que menos importa.

Saí do cinema com vontade de sair dançando ao som de Gloria.

Só pra dar um gostinho:

Como eu quero levar a vida?

Esta é uma de outras tantas perguntas feitas por Jostein Gaarden em sua publicação infantil “Eu me pergunto…”. Nesta obra, o autor de “O mundo de Sofia” faz uma série de perguntas para mexer um pouco com as crianças e as fazerem pensar filosoficamente sobre a vida. Bem, não sou mais criança, mas as questões do livro também mexem com os adultos. Escolhi esta questão para escrever aqui no blog, pois, eu já escolhi como quero levar a minha vida. Porém, a minha escolha, às vezes incomodam as pessoas, por mais, que eu não as incomode.

Bem, há tempos escolhi ser mais saudável, há tempos tenho trabalhado ser mais leve, tenho me afastado de pessoas com energia ruim, invejosas e que não me fazem bem. Descobri que podemos escolher sim várias coisas nessa vida, sem necessariamente estar escolhendo um produto na prateleira. Podemos levar a vida com mais serenidade, mais equilíbrio e mais atenção às pessoas (por mais que nunca as tenhamos visto).

Escolhi construir meu futuro de forma diferente. Quero chegar aos 60 ou mais forte e cheia de energia, acredito que para isso tenho que começar agora, ou seja, fazer escolhas alimentares saudáveis e praticar atividade física. Escolhi ser professora universitária, mas para isso tenho que estudar mesmo no carnaval. Escolhi acordar cedo todos os dias. Adoro ver o sol nascer e ouvir os passarinhos cantando logo de manhã. Quero levar uma vida ao lado de pessoas que eu gosto e que gostem de mim. Escolhi dizer eu te amo todos os dias. Escolhi fazer análise para ser uma pessoa melhor e mais bem resolvida. Escolhi ser professora, pois acredito na força da educação.

Eu quero a cada dia ter uma vida mais tranquila, mas isso não significa ficar vendo a vida passar. Significa saber ouvir, saber entender as diferenças, saber compartilhar. A tranquilidade eu ainda estou trabalhando, pois, às vezes, a ansiedade toma conta e as demandas externas chegam tão forte que fica difícil recusar.

Quero levar uma vida mais leve. Não quero carregar tantas tristezas, tantos rancores e tantas decepções. Quero planejar e replanejar, quero aprender e desaprender, quero amar e desamar, quero gritar de alegria e quero ficar quieta sempre que possível. Quero abraçar e ser abraçada. Quero dizer eu te amo todos os dias. Quero agradecer pelos amanhaceres, pelas luas à minha janela, pelas flores nos jardins, pelos sorrisos de desconhecidos… sim, eu quero viver feliz, tranquila e leve.

“Leve, como leve pluma, muito leve leve pousa”