Sortimento

Desde que retomei o blog fico buscando temas no meu dia a dia para compartilhar. Estou  construindo um post sobre cafés e cafeterias de BH. Tema que adoro e que penso poder contribuir para os cafezeiros de plantão como eu (e até possivelmente criar uma rede sobre o tema). Estou pensando também em escrever algumas dicas de viagem sobre o Uruguay,  já que irei para a terra de Mujica em breve e nas pesquisas que realizei não encontrei muitos detalhes dos caminhos que pretendo percorrer no território pampa vou para as seguintes cidades: Montevideo, Piriapólis, Punta Del Este, La Paloma e Cabo Polônio. Mas depois conto mais detalhes.

Bem, diante de várias supostas postagens, hoje me deparei com algo que não poderia deixar passar batido. Recebi um cartão de natal da minha analista. Eu faço análise há 1 ano e isso tem me ajudado a resolver várias coisas. Depois de alguns equívocos para tentar encontrar um profissional bacana, finalmente, creio que, encontrei uma psicanalista na minha medida. Ela gosta de artes, de fotografia, de cinema, de literatura e, sempre que é possível, traz referências artísticas para as nossas reflexões. Além disso tudo, ela me parece ser bem livre, independente e ter desejos bem parecidos com o que almejo. Isso tudo faz com que eu fique ansiosa para os nossos encontros quinzenais (agora eu já sou uma paciente quinzenal! rs).

Anualmente, segundo me contou, ela envia um cartão de natal para seus pacientes, amigos, colegas de trabalho e pessoas com quem ela convive…  e sabe o que é mais legal? Ela mesmo faz a ilustração e o texto. E não é um texto de feliz natal e um ano novo bonito. É um texto que faz um balanço do que ela viveu, sentiu e ouviu.

Modéstia a parte, penso que o deste ano, deixei algumas marcas e isso ficou evidente no cartão. Lindo, diga-se de passagem. A ilustração é um mapa mundi colorido e com links que fazem sentido pra mim: máquina de escreve, câmera fotográfica, bicicleta; uma ponte ligando o Brasil e a Europa (ei, alguém leu meu último post?). E mais, ela fez uma referência de Florbela Espanca, uma poetisa portuguesa, do início do século XX, que diz algo que também sinto e que vou compartilhar aqui:

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Image Fonte: Neide Heliodora

Lindo, não? Fiquei tão emocionada em ler. Entendi que tudo isso era importante, compõe um pouco dos meus sentimentos e anseios. Singelo e impactante.

Resoluções de ano novo

2013 está em clima de despedida e fazer balanço está em pauta, assim como, elaborar resoluções para o novo ano que desponta.

O ano de 2013 foi de bastante aprendizado; sofri bastante, senti os ossos crescerem mais uma vez; e por hora tive a sensação de ter asas brotando nas costas, bem ao estilo de Cisne Negro (um dos filmes da minha vida).

O início do ano foi duro, trabalhava em dois lugares e cumpria mais de 60 horas por semana. Os últimos meses também foram sofridos, principalmente, pelo rompimento de um desejo, de dar aulas na UFMG… enfim… passou! O ano termina e eu, agora, estou apenas estudando, tendo todo o tempo do mundo para mim, para minhas inquietações e para cuidar da minha saúde. Conquistei alguns planos e outros continuo adiando… vamos ver até quando.

Tenho mania de deixar cartas escritas pra mim mesma. Aprendi isso com a Beth Parreiras minha professora de História Moderna I e Contemporânea I  na época da graduação. É interessante, pois você percebe o que mudou, o que continua igual, o que alcançou e o que foi esquecido.

Dia desses encontrei meu caderno de sonhos, em que em uma das páginas havia uma lista de coisas que queria estar fazendo em 2014. Escrevi em 2009, ou seja, foi um plano para dali há 5 anos. E eles chegaram!!! Veja a minha lista (chega a ser engraçada):

– Estar fazendo doutorado — ano que vem, já estarei no 2º ano;

– Dirigir o meu próprio carro —- Uippiiii isso se realizou em 2012;

– Dar aula em uma faculdade — Estou desempregada no momento (por opção para me dedicar ao Doc. Agradeço à CAPES à bolsa), mas já dei conta de fazer isso. Já lecionei em algumas faculdades da capital mineira;

– Ter saído da casa do meus pais — tenho isso comigo há tempos, mas até hoje não dei conta. Estou mais conformada e já entrei para a nova estatística da geração canguru. To menos neurada com isso e mais agradecida aos meus pais.

2014 começa com planos diferentes. Desejo:

– ter uma vida com menos, para ter mais qualidade de vida (quem sabe aderir ao Minimalismo)?

– entender que as pessoas têm defeitos e sofrer menos com isso (análise tem me ajudado um bocado neste aspecto);

– conseguir atravessar o atlântico e passar uns meses no velho continente (um doc sanduíche para complementar minha formação);

– Rir mais, abraçar mais, sentir tudo o que puder sentir, entender que os erros ajudam a gente a dar grandes saltos; ter mais paciência; implicar menos; dedicar mais tempo às leituras aleatórias; ir mais ao cinema; dizer mais eu te amo para as pessoas importantes na minha vida; e sim; observar a vida com mais singeleza.

Que venha 2014!!!!

 

 

Una canción

Hoje fui mais uma vez à Mostra Latino. Sempre vou de forma despretensiosa, não leio sinopse ou busco qualquer informação sobre o filme. Chego, pego meu ingresso (esqueci de falar que é free) e aguardo na sala recém reformada. Assim, sempre tenho surpresas, boas e más. A do dia foi boa.

O filme era “Bosque encantado“, uma animação para crianças e para adultos, cuja moral tem a intenção de pensar a relação do homem com a natureza e também da avareza dos homens. A película foi inspirada na obra homônima (1943) de  Wenceslao Fernández Flórez. 

O tema me tocou profundamente, principalmente, porque tenho pensado em ter uma vida mais leve mais tranquila, com menos consumismo e avareza. Ter uma vida com menos. Não que eu vá abandonar tudo e ir para o meio do mato. Quero ter menos e ser mais feliz, falava sobre isto minutos antes de entrar na sala Humberto Mauro. Por isso, este filme me chamou tanto a atenção. E a música conclusiva… saí cantando e logo que cheguei em casa fui buscar mais informações.

Para ouvi-la, clique aqui.

Tu Bosque animado (Luz Casal)

 

Dentro de ti hay un mundo animado
Dentro de ti hay mundos por descubrir
En ti se adivina tu forma de vivir
Respiraras la lluvia entre las hojas
Querrás sentir la fuerza que te manda el sol
Serás, el viento que ha nacido en mi canción
Di no al hacha que amenaza sin compasión
Di no al fuego y las trampas del cazador
En ti defiende un bosque de paz y calor
Quiero tener el valor
De sentir armonía a mi alrededor
Quiero algún día aprender
Que tal vez la vida, será
Lo que siempre soñé
Dentro de ti hay un mundo animado
Dentro de ti hay nubes por alcanzar
En ti la lluvia se convierte en vendaval
Di no al hacha que amenaza sin compasión
Di no al fuego y las trampas del cazador
En ti defiende un bosque de paz y calor
Quiero tener el valor
De sentir armonía a mi alrededor
Quiero algún día aprender
Que tal vez la vida, será
Lo que siempre soñé
Di no al hacha que amenaza sin compasión
Di no al fuego y las trampas del cazador
Di no al hacha que amenaza sin compasión
Di no al fuego y las trampas del cazador
En ti defiende un bosque de paz y calor
Quiero tener el valor

Latino 2013

Já disse que tenho me dedicado ao estudo do espanhol no post passado reclamei um pouquinho sobre o site do El País, mas era erro do usuário e não do site. (Sorvete na testa neste momento)

Agora venho falar de uma notícia boa e sem reclamação: esta semana tem mostra de Cinema Espanhol e Latino americano aqui em BH!  É a III Mostra de Cinema Espanhol e Latino americano (um grito de felicidade agora uhuhuhu!!!!!). A mostra vai ser realizada no Cine Humberto Mauro e em outros Centros Culturais da cidades, começa hoje (09/12) e vai até a próxima segunda (16/12). A Mostra foi organizada pelo Instituto Cervantes em parceria com a Prefeitura, com a proposta de descentralizar a cultura na cidade (tá, talvez eu acredite).

A estreia foi hoje, e, claro, que não perdi. Ainda mais porque ganhei um vale week (rsrs). Aproveitei para fazer uma das coisas que mais gosto de fazer sozinha,  ir ao  cinema. Fui assistir à primeira sessão e o filme era “No tengas miedo“. A produção espanhola, de 2011, foi dirigida por Montxo Armendáriz. A sinopse não dá a dimensão da surra que levaremos nos 90 minutos da película.

Silvia es una joven marcada por una oscura infancia. Con apenas 25 años decide rehacer su vida y enfrentarse a las personas, sentimientos y emociones que la mantienen ligada al pasado. Y en su lucha contra la adversidad, contra sí misma, ir aprendiendo a controlar sus miedos y convertirse en una mujer adulta, dueña de sus actos.

Não vou fazer spoiler, pois, o que você precisa saber, acontece nos primeiros minutos do filme. A tal obscuridade referida no resumo acima é o abuso que Silvia sofre durante anos pelo seu próprio pai. E isso será o mote para desenrolar o filme, que revela as dores, as angustias e a solidão de uma menina que teve que esconder de todos a sua volta, até que ela decide romper com isso e seguir a sua vida.

Claro, que, por ser mulher, sofri muito a cada cena e chorei litros no momento em que Silvia e sua amiga Maitê se abraçam. A narrativa também incluía relatos de outras pessoas que sofreram abusos em suas vidas. Este não é um tema muito abordado no cinema, pelo menos não me lembro de filmes que falem disso (alguém se lembra de algo assim?), mas é notícia cada vez mais constante nos periódicos. Durante a exibição sofri com história de Silvia e fiquei pensando nas milhares de pessoas que sofrem esse tipo de abuso e de como há gente ruim nesse mundo. Hoje estava em um dia sensível e o medo de Silvia me tomou, voltei para casa arrasada.

Quero ir a outras sessões durante essa semana e descobrir  produções que não têm tanta evidência em BH normalmente.

Uma dica:  Chico e Rita, que já falei aqui, compõe a programação e vale a pena demais assistir.

 

 

 

 

uma singela mudança que não foi boa coisa (pelo menos para mim)

O Jornal El País me pregou uma peça essa semana. Leio, sempre que posso, o site do periódico espanhol com a intenção de me inteirar das notícias mundiais, claro, e também para  poder ler em espanhol, já que tenho me dedicado ao estudo dessa língua.

Bem, esses dias, não me lembro exatamente quando, se nessa semana ou na semana passada, me deparei com o site TODO em português. Tentei entrar de diferente formas e nada de ver o texto em espanhol. Imagino que por reconhecer o IP ele me direciona para a versão brasileira. Mas quem disse que eu quero assim???

Esse desabafo é uma tentativa de que alguém possa me ajudar a ler o site na língua original ou  me indicar algum jornal interessante em castelhano.

Agradeço desde já sugestões!

sobre ser professora

Adoro ser professora. Sério! Acho que ainda sou uma das poucas românticas com a profissão. Ok, você pode dizer que tenho pouco experiência e que tive sorte pelos lugares que lecionei. O fato é que me apaixonei pelo que faço e estou estudando mais para que possa de fato ter uma certa estabilidade.

Já fui professora do ensino médio, do ensino superior e da educação a distância (EaD). E mesmo nos diferentes níveis e modalidade sinto a mesma satisfação e me dedico igualmente. Gosto de estudar e de conversar com outras pessoas. Respeito meus alunos e quero saber o nome de todos eles. Lembro que quando um professor falou o meu nome uma vez, senti que isso era importante. Claro, que passados alguns meses posso esquecer o nome, mas sei exatamente a turma, os amigos, o modo como se comportava.

Aprendo muito e não é demagogia. Aprendo a ver as coisas por um lado diferente e tenho que aprender a lidar com situações muito rapidamente. Histórias de vida muito diferentes. Comportamentos. Aprender a falar na frente para um grupo de pessoas te olhando…. São muitos desafios.

To falando isto tudo porque ontem me encontrei com um ex-aluno.

Ele era do 3º ano no ano passado e agora já está terminando o 2º período de engenharia elétrica. Mesmo que o sonho dele fosse fazer algum curso nas Ciências Humanas.

Ele andava pela avenida da UFMG, escutava algo no fone de ouvido. Quando ele me viu, tirou os fones e disse: PROFESSORA! Que bom te ver! Claro que lhe dei um abraço e conversamos um pouco. Achei engraçado, pois ele disse que gostava das aulas e eu nem achava rsrs Ele sempre estava com os tais fones de ouvido.

Tenho saudades do ano passado.

aperto de mão

Depois da confusão de sexta e do fim de semana para acalmar os ânimos, apresentamos o trabalho. E deu tudo certo. No final um aperto do mão. Missão cumprida. Bola pra frente, pois ainda falta mais uma parte da apresentação.

Sim, eu ainda acredito nas pessoas.

um conto budista

Estamos no final do ano. Alguém notou??? rsrs

Neste período na universidade é um dos mais estressantes… trabalhos para entregar, relatório, projetos e afins. Bem, entre esses afazeres, preciso apresentar um trabalho amanhã. Tivemos o semestre todo para prepará-lo, mas somente na sexta eu e o meu grupo sentamos para organizá-lo. Difícil! Mais de 15 textos para ler e organizar… a coisa já estava complicada e conseguiu ficar pior. Uma das integrantes do grupo, surtou, deu um piti daqueles e disse que nosso trabalho estava  muito imbecil e escolar, não era um trabalho de doutorado, juntou as coisas e foi embora.

A tal sujeita diz que tem 37 anos, imagino que mentalmente deve ter 14… aff

Enfim, ela foi embora e ficamos eu e a outra componente meio estarrecidas e tentando ajeitar o que podíamos. Claro, que diante de uma situação dessa ficou um mal estar. Tentamos por horas nos concentrar e terminar o que era preciso. Tentamos entender o ocorrido e pra fechar a conversa, a moça me contou a seguinte estória:

Os budistas não podem tocar as mulheres (ops, não sabia disso, alguém mais?). Enfim… Continuando a história: havia um grupo de budistas que caminha por uma trilha para chegar ao topo de uma montanha. No caminho eles se depararam com uma mulher que precisava de ajuda para atravessar um rio. Um dos budistas a ajudou e rompeu com a regra. Quase alcançando o topo da montanha um dos budistas do grupo falou: “você não devia ter tocado naquela mulher”. E o que havia ajudado falou: “Eu toquei nela e a deixei no rio, e você está carregando ela até aqui”.

Moral da história no contexto do dia: vamos deixar esse assunto da surto pra lá e fazer o que realmente importante.

Agora, preciso terminar a apresentação.